Tasso admite aliança PSDB/PT em 2010
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sexta-feira, 11 de maio de 2007
Christiane Samarco<br>Agência Estado 
Brasília - Menos de 24 horas depois de o governador de Minas Gerais, o tucano Aécio Neves, ter admitido a possibilidade de uma parceria com o PT em 2010, o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), afirmou quinta-feira que subscreve integralmente a avaliação do governador e foi além. Acho não só possível como provável que estejamos juntos no futuro.
Tasso observou, no entanto, que para pensar em um projeto conjunto do PT e do PSDB será preciso, antes curar as feridas eleitorais de ambos e isso demandará tempo. Exatamente por isso, ele avalia que uma parceria já na sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não é provável.
Na sua opinião, não é o PSDB que está se aproximando do PT e sim o inverso. Foram eles, os petistas, que mudaram, deixaram as teses marxistas e ficaram mais liberais. O PT hoje é social-democrata, afirmou o tucano, para quem seu PSDB ficou no mesmo lugar. No fundo, o que o PT diz hoje é: vocês tinham razão.
Assim como Aécio, o senador também advertiu que o governo Lula está cometendo erros gravíssimos. Por causa disso, ele acha que a obrigação do tucanato hoje é apontar esses erros e fazer oposição.
Quando o assunto é política externa, por exemplo, o tucano afirmou que Lula deixará uma herança maldita ao sucessor. Para ele, o presidente entregará um Brasil completamente isolado, que não pertence a bloco econômico algum, uma vez que o Mercosul está destruído e o governo encerrou a conversa sobre a Área de Livre Comércio das Américas (Alca).
O PT, como regra geral, é um desastre administrativo e o caos aéreo é o retrato da crise de gestão pública do governo federal, acrescentou. O senador insistiu em que o PSDB faz sérios reparos ao governo Lula. Mas não fazemos política com o fígado, ressalvou.
A parceria eleitoral, que Tasso admitiu ser possível exatos 20 dias depois de visitar Lula no Palácio do Planalto, já foi seriamente discutida por petistas e tucanos. O presidente do PSDB disse lembrar muito bem desse debate, ocorrido durante o governo de Fernando Collor, quando as duas legendas estavam no campo da oposição. Era ele mesmo, Tasso, quem estava à frente do PSDB, e o PT então era presidido por Lula.
Conversamos aberta e seriamente sobre isto, contou. Segundo ele, foi nessa época que os dois presidentes de partido se aproximaram e a discussão avançou até o ponto da negociação em torno da montagem de uma chapa tucano-petista.
Embora o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, que é presidente de honra do PSDB, tenha criticado sua ida ao Planalto e cobrado uma posição mais firme do partido e de seus governadores na oposição ao governo de Lula, Tasso acredita que a maioria do PSDB comunga com a idéia de uma reaproximação futura do PT. O senador inclui o governador de São Paulo, José Serra, nessa maioria.


