São Paulo - O ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro, disse ter tido uma conversa ‘‘de alta qualidade política’’ com o ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia (PMDB), com o qual se reuniu ontem em São Paulo. Genro admitiu que ainda não há como dizer se o partido aceitará ou não permanecer no palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas próximas eleições, mas destacou que as discussões mostraram que existem elementos que justificam a aproximação entre os dois partidos. ‘‘Foi uma reunião que mostrou que existem muitos interesses comuns’’, disse Tarso, que participou na tarde de ontem da gravação do programa Opinião Nacional, da TV Cultura.
  O ministro conversou com Quércia e com o presidente do PT, Ricardo Berzoini, no escritório do peemedebista na capital paulista, e já havia se encontrado anteontem com o presidente do partido, Michel Temer. Tarso reconheceu que o PMDB está dividido em relação ao tema da candidatura própria e à política de alianças, mas insistiu que o objetivo do PT e do governo nessa estratégia é conseguir uma união do partido, e não dividi-lo ainda mais. ‘‘O que nós pretendemos com isso não é rachar o PMDB’’, afirmou. ‘‘O que nós queremos é unificar o PMDB como um partido que pode ser um fator de estabilidade importante para o próximo período, independentemente do sistema de alianças que ele vai compor’’, argumentou.
  O ministro destacou que a idéia é criar as condições para um governo de coalizão em um eventual segundo mandato do presidente Lula, pondo fim a fragmentações com lideranças locais. ‘‘Queremos mudar regime de governo para não termos mais uma relação fragmentada com a base aliada’’, disse.
  Tarso aproveitou para negar que o presidente do Senado, Renan Calheiros - um dos principais apoiadores de Lula no PMDB -, tenha se irritado com a notícia de que o PT ofereceu a vaga de vice ao PMDB durante a conversa com Temer, sem antes consultá-lo. Ele disse recebido um telefonema de Renan na manhã de ontem, negando qualquer tipo de insatisfação com a aproximação.
  Tarso também fez questão de separar os ‘‘dois movimentos’’ que estão sendo feitos na aproximação com o PMDB: o que ele próprio está conduzindo, como ministro de Relações Institucionais e representante do governo; e o que está a cargo de Berzoini, desenhado para guiar o relacionamento partidário. Ele adiantou também que Berzoini deverá dar continuidade a uma dessas frentes na semana que vem, em uma reunião marcada para a terça-feira com o ex-presidente Itamar Franco.
  Apesar das afirmações, Tarso evitou se aprofundar em questões relacionadas ao assédio que o PSDB também vem lançando sobre o PMDB. Questionado sobre se há atualmente um desequilíbrio na disputa para um dos dois lados, disse apenas que acha que ‘‘o PMDB ainda não tem uma posição sobre seu sistema de alianças’’.

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