Tarso retira candidatura do PT
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 29 de agosto de 2005
Léo Gerchmann<br>Folhapress 
Porto Alegre - O presidente interino do PT, Tarso Genro, anunciou ontem formalmente a retirada da sua candidatura à presidência nacional da sigla e afirmou que a atitude ''expõe a crise de maneira aberta e transparente e a necessidade de mudança no núcleo dirigente''. ''A retirada abre a crise de maneira democrática para a sociedade e para a própria militância'', disse Tarso, em Porto Alegre.
''É uma contribuição, porque, se a crise for tratada agora com panos quentes - e isso significa que as lideranças do partido componham politicamente com situações e posições com as quais discordam radicalmente -, isso sim seria um desserviço ao partido. Portanto, acho que minha saída é positiva'', afirmou.
Tarso se disse ''vítima'' do ''processo'' - a crise - vivido pelo partido, assim como outros petistas. Ele afirmou que apenas o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares foi responsabilizado pela situação em que o partido se encontra, após as denúncias de corrupção. ''Até agora, não há responsáveis pelo que ocorreu. Até agora, o único responsável é o Delúbio'', afirmou. ''Falo de responsabilidades políticas, não penais.''
A respeito de Delúbio, manifestou seu interesse em, ainda durante sua gestão, colocar em votação sua expulsão do partido. O mandato de Tarso, a princípio, deve se encerrar no encontro de delegados nacionais - entre os dias 2 e 4 de dezembro. Ele, porém, aceita sair antes.
Sem citar nomes de outros eventuais responsáveis, Tarso disse se opor ao que representa a chapa mantida pelo Campo Majoritário para as eleições do PT. Questionado se pretende votar no novo candidato à presidência (que o substitui), Ricardo Berzoini, ele o elogiou, mas não confirmou o voto.
''O Berzoini tem uma visão diferenciada da minha sobre a transição. Isso não lhe tira a lucidez e a capacidade de direção que ele pode alcançar. Qual a divergência que temos? Ele acha que é possível uma ruptura com o sistema de poder anterior mantendo a mesma chapa. Eu acho que não'', disse Tarso.
''Isso, para mim, não desqualifica o Berzoini. Apenas é uma opinião diferente. A forma como se processou a disputa política opôs não duas personalidades, mas duas visões sistêmicas de como dirigir o partido'', afirmou, acrescentando que pretende se reunir com Berzoini nos próximos dias.
Mesmo com a permanência do deputado federal José Dirceu (PT-SP) na chapa do Campo Majoritário, Tarso disse acreditar que o partido sofrerá modificações, mas que elas serão mais lentas do que se houvesse uma ruptura com a ''hegemonia anterior''. Ele afirmou ainda que acredita na recuperação do partido e que ''há dezenas de motivos para se votar no PT''.
A respeito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Tarso defendeu sua candidatura à reeleição e elogiou iniciativas do governo no âmbito social.


