Um dos possíveis candidatos à presidência do PT, o ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro, está propondo que a legenda troque a prioridade dada à defesa de interesses de categorias tradicionais, como metalúrgicos e bancários, pela tentativa de inserção na chamada ‘‘nova classe trabalhadora’’.
O novo público-alvo que Tarso enxerga como indispensável para a reciclagem do PT é especificado em um texto dele para o congresso partidário que vai renovar ou não a cúpula do partido, em novembro.
‘‘Trabalhadores da informação e das telecomunicações, da informática e microeletrônica, dos transportes aéreos, da área de cultura e lazer, dos grandes bancos e instituições de pesquisa e ensino’’ etc. são listados por Tarso como os substitutos das categorias que fundaram o PT e, até agora, ajudaram a sustentar seu projeto.
‘‘A política de organização do PT deve privilegiar os lugares estratégicos da dominação, da produção e também da construção do novo projeto produtivo’’, diz Tarso. A tese já gerou polêmica no partido, que tem em um ex-metalúrgico, Luiz Inácio Lula da Silva, o seu principal líder.
O deputado federal paulista José Dirceu, presidente do PT e provável candidato à reeleição, discorda de seu aliado circunstancial na atual maioria moderada da legenda. ‘‘O Tarso está certo em perspectiva, mas o peso da classe operária industrial ainda é mais importante no Brasil’’, afirma Dirceu.
Outro líder moderado, o deputado federal José Genoino (SP), elogia o esforço de Tarso para elaborar seu texto, mas discorda da receita de seu quase sempre parceiro nas discussões do petismo. ‘‘Não é correto especificar um público-alvo para o partido. O público-alvo tem que ser o cidadão.’’
Em defesa de sua tese, Tarso exemplifica: ‘‘Hoje é mais importante uma greve dos trabalhadores da construção civil ou uma greve dos controladores de vôo? É óbvio que tem muito mais peso social a paralisação dos controladores.’’ Para ele, com a tecnologia, ‘‘os metalúrgicos terão um peso cada vez menor na estratégia’’.
O texto do petista gaúcho comporta ainda um duro diagnóstico sobre o estágio atual da legenda. Tarso acha que existe hoje uma ‘‘situação limite’’: ‘‘Ou o PT se reconstitui nos próximos dois anos ou se transforma num partido tradicional.’’
No círculo mais próximo do atual presidente do PT, José Dirceu, a aposta quase unânime é que ele pretende continuar à frente do partido. Se Dirceu concorrer, diminuem muito as chances de Tarso Genro. Na verdade, o gaúcho, apesar de pertencer ao mesmo campo moderado de Dirceu, nunca contou com a simpatia da burocracia petista, que teme a ‘‘oxigenação’’ prometida por Tarso caso seja eleito presidente do partido.
‘‘Tem muita gente querendo que o Zé Dirceu fique por ter operado bem num momento delicado do partido’’, disse o deputado José Genoino, que tem posições mais parecidas com as de Tarso. A ‘‘esquerda’’ petista também deve lançar seu candidato.

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