Tarso oferece forças federais para garantir eleições no Rio
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segunda-feira, 28 de julho de 2008
Vannildo Mendese Felipe Recondo<br>Agência Estado 
Brasília - O ministro da Justiça, Tarso Genro, colocou à disposição do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o envio de tropas federais para garantir segurança nas eleições municipais do Rio de Janeiro e a livre circulação de candidatos, inclusive em locais dominados por grupos criminosos. A medida, sugerida em razão das restrições de traficantes a candidatos, será discutida amanhã, em reunião em Brasília entre Tarso, o presidente do TSE, ministro Carlos Ayres Britto e o presidente do TRE do Rio, Roberto Wide. ''Estamos prontos para prestar o serviço necessário para a tranquilidade da ação política dos partidos no Rio'', garantiu.
Por telefone ontem à tarde, Tarso e Aires Brito combinaram fechar, na reunião de amanhã, um pacote de medidas de segurança para as eleições no Rio. O tipo e o tamanho da ação ainda serão definidos, mas em princípio o governo federal se propõe a integrar uma força-tarefa com a cessão de tropas da Força Nacional de Segurança Pública e da Polícia Federal, ''a depender da necessidade levantada pela justiça eleitoral e as autoridades de segurança do Estado'', explicou Tarso. Ele convocou o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, a participar da reunião.
O ministro informou ainda que, conforme a natureza da ação federal a ser desenvolvida no Rio, será necessária a assinatura de um documento ''que normatize a nossa intervenção''. O objetivo da ação é coibir a influência tanto do tráfico como de milícias nas eleições. ''Essa é uma questão de Estado, que demanda a participação da Justiça Eleitoral'', afirmou Britto, depois de se reunir, ontem, com o presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara, deputado Raul Jungmann (PPS-PE)
Segundo Britto, a ação de segurança será feita em comum acordo entre a justiça eleitoral, o governo federal e as autoridades do Rio. ''Faremos (a ação de segurança) em comum acordo a partir do princípio da Justiça Eleitoral de zelar por eleições livres, limpas, a partir do ponto de vista democrático'', explicou.
No último episódio no Rio, fotógrafos de três jornais foram obrigados por traficantes - um deles armado - a apagarem de suas câmeras imagens feitas durante uma caminhada do candidato Marcelo Crivella (PRB) pela Vila Cruzeiro. Nas imagens, líderes dos grupos criminosos apareciam cumprimentando o candidato.
Para o presidente do TSE, o fato é grave e configura cerceamento ao livre exercício da profissão de jornalista, além de uma violação do processo eleitoral. ''Pode-se dizer que, a partir dos fatos acontecidos, o exercício da profissão de jornalista e também do direito de se fazer a campanha eleitoral por parte de alguns candidatos resultou prejudicado'', afirmou. ''De sorte que num só tom ficaram vulneráveis a liberdade de imprensa, a autenticidade e a pureza do regime democrático e toda uma comunidade eleitoralmente acuada'', criticou Britto.
Jungmann, que esteve no Rio na última semana, afirmou ao presidente do TSE que os eleitores estão acuados pelos traficantes. ''Lá as pessoas não estão podendo escolher quem são os seus representantes. O tráfico e a milícia vêm apavorando e dizendo que o voto não é secreto'', disse o deputado.
Britto observou que o relato de Jungmann foi fidedigno. ''O deputado me trouxe informações precisas de quem conhece a realidade do Rio de Janeiro, mesmo não sendo de lá''. Mas ressalvou que as medidas só serão definidas em comum acordo com as autoridades locais e federais.


