Brasília - Ao final de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ontem, no Palácio da Alvorada, o ministro da Justiça, Tarso Genro, reconheceu que há divergências entre os colegas da Defesa, Nelson Jobim, e dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, mas que os problemas não são insanáveis. ''Não há nenhum tipo de pedido de demissão e nenhuma controvérsia insanável entre a Defesa e os Direitos Humanos. Isso (o presidente) vai resolver com a sua capacidade de mediação na volta das férias'', disse Tarso. ''Agora o presidente vai dar a palavra final'', completou o ministro. O presidente entrou ontem em férias, voltando a Brasília no dia 10 de janeiro.
O pedido de demissão não existe hoje, mas existiu no dia 22, terça-feira da semana passada, como revelou a edição de ontem do jornal ''O Estado de S. Paulo'', quando Jobim e o presidente Lula se encontraram na Base Aérea de Brasília. O ministro da Defesa foi à audiência com o pedido de demissão pronto porque a versão final do terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), redigida na secretaria de Vannuchi, afrontava um acordo entre os ministros e chegou ao ponto de propor a revogação da Lei de Anistia.
Duas fontes, uma da Defesa e outra do Planalto, reafirmaram ontem ao jornal ''O Estado'' que Jobim decidiu pedir demissão por entender que a versão final do programa tinha a aprovação do presidente Lula.

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