O ex-prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro (PT), vai propor na próxima reunião do diretório nacional, em fevereiro, que o partido defenda a convocação de eleições presidenciais antecipadas em outubro deste ano. Embora entenda que a iniciativa deveria caber ao próprio presidente Fernando Henrique Cardoso, ele sugere que a proposta seja amparada por ‘‘um movimento social potente’’, semelhante aos ‘‘carapintadas’’ que em 1992 aceleraram a queda do ex-presidente Fernando Collor de Mello.
A abreviação do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso é urgente, na opinião de Tarso, em função da crescente perspectiva de deterioração econômica do País. ‘‘A situação vai piorar, a dívida pública quintuplicou, o endividamento das empresas em dólar aumentou violentamente com a liberação do câmbio e o Brasil está cada vez mais dependente dos gestores do grande capital especulativo’’, avalia.
O líder petista reiterou que o presidente da República cometeu um ‘‘estelionato eleitoral’’, ao romper a lógica do Real que consistia na estabilidade artificial da moeda como âncora do plano econômico. Segundo ele, Fernando Henrique deveria agora ser ‘‘chamado à razão’’ e utilizar o mesmo método de que se valeu para garantir a sua reeleição - o envio de uma emenda constitucional ao Congresso - para convocar eleições antecipadas.
‘‘Somente um néscio diria que esta é uma proposta golpista ou de instabilidade, a menos que se considere golpista o segundo mandato do presidente da República’’, afirmou. O prazo sugerido para as novas eleições, de acordo com Tarso, respeitaria as tradições eleitorais brasileiras e proporcionaria o tempo necessário para a ‘‘costura política’’ no Congresso indispensável a uma transição tranquila.
Um novo governo, conforme o petista, deveria se preocupar em inaugurar um novo ciclo de desenvolvimento interno, com o fortalecimento de um mercado de massas e a proteção do setor produtivo nacional. ‘‘Não se trata de um protecionismo banal dos anos 60, mas da adoção de mecanismos como os utilizados pelos Estados Unidos em defesa do seu desenvolvimento tecnológico e de sua indústria, como o Ato de Preeminência Tecnológica, de 1991’’, disse.
Tarso não prega o rompimento do Brasil com a Organização Mundial de Comércio (OMC), mas lembra que o País está abaixo dos limites de proteção admitidos pelo organismo. ‘‘Há uma flexibilidade nas regras que qualquer governo sério pode utilizar’’, comentou. O restabelecimento do mercado de massas interno, na opinião dele, depende da inversão da balança comercial e da consequente expansão do processo de acumulação de poupança interna, ‘‘abrindo ou fechando do mercado nacional quando necessário’’.Arquivo FolhaGenro: ‘‘A situação vai piorar, a dívida pública quintuplicou’’Sérgio Bueno

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