Brasília - O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) acusou ontem o adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial, o tucano Geraldo Alckmin, de assumir seu ''lado Pinochet'' em referência ao ex-ditador chileno Augusto Pinochet. Tarso criticou a declaração de Alckmin que se Lula vencer a eleição não conseguirá governar. Para Tarso, a afirmação também revela um lado conservador do candidato tucano. ''(Alckmin) está demonstrando seu lado mais perigoso, que é o lado Pinochet. Essa ameaça de dizer que o governo não vai começar, um governo que será eleito democraticamente pela população, revela um lado mais Opus Dei do que republicano (do tucano)'', disse o ministro.
O comentário de Alckmin foi feito pela manhã em sabatina na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). O candidato se referia às denúncias que atingem o governo, quando disse que ''se o Lula for reeleito (o governo) acaba antes de começar e (o país) já começa, no dia seguinte, a discutir 2010''. Segundo Tarso, se Alckmin for eleito, o PT terá outra postura. ''Nós achamos que, seja quem for o eleito, vai governar com legitimidade. É assim que se comporta na República e na democracia e não fazendo ameaças e bravatas sobre as instituições'', disse.
O ministro voltou a insinuar que se Alckmin for eleito fará privatizações. Uma prova disso, segundo Tarso, é que o candidato já anunciou que sua primeira medida será vender o Aerolula. ''No debate que ocorreu na Band ele demonstrou seu lado vendedor dizendo que iria privatizar o avião da República'', alfinetou.
Apesar das críticas, o ministro reconheceu ontem que a privatização do setor de telefonia foi importante para o país. ''O resultado da privatização da telefonia foi positivo, barateou o telefone e mais pessoas puderam ter acesso. Não estou avaliando se deveria ou não ter sido privatizado. O que não concordamos é com o processo de privatização selvagem que ocorreu durante os oito anos do governo tucano.''
O ministro acusou o governo FHC de usar mal o dinheiro captado com as privatizações. ''Eles privatizaram o ativo de U$ 100 bilhões para pagar dividas e a divida triplicou. Ou seja, ficou demonstrado que essa política foi irresponsável e uma política completamente contrária ao interesse do país'', disse.
Tarso também rebateu as críticas de Alckmin de que o presidente Lula aparelhou o governo e que, se eleito, vai ''despetizar'' a administração pública. ''Essa visão de despetizar não tem significado técnico nem político. É uma mera disputa eleitoreira. Não só o PT nomeou menos cargos de confiança do que eles, como também permanecem no governo vários cargos de confiança originários do governo anterior.'' (Andreza Matais/Folhapress)

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