Tarifa de ligação de esgoto cai 88%
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terça-feira, 28 de setembro de 2004
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A partir de 1º de outubro, quem fizer uma ligação de esgoto através da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) vai pagar R$ 14,80, em vez dos R$ 121,93 cobrados hoje. A decisão de reduzir em 88% o preço da ligação de esgoto foi tomada ontem, durante reunião extraordinária do Conselho de Administração da Sanepar.
A medida, simpática junto à população de baixa renda, tem o objetivo de facilitar a instalação do saneamento básico e também proteger o meio ambiente. É a primeira decisão de grande porte após a disputa na Justiça com a Dominó Holdings, consórcio sócio do Estado na empresa. A proposta de redução foi da diretoria da empresa. O presidente da Sanepar, Stênio Jacob, ressaltou a função social da decisão.
A redução vinha sendo estudada desde o ano passado. Segundo o gerente comercial da companhia, Luiz Carlos da Silva, o preço de R$ 14,80 vai vigorar por 180 dias, e depois será reavaliado se é possível mantê-lo nesse patamar por mais tempo ou se voltará a subir. A Folha tentou ouvir ontem o porta-voz da Dominó Holdings, Renato Torres de Faria, sobre a redução da ligação de esgoto, mas ele não atendeu as ligações feitas para seu celular.
Atualmente, explicou Silva, o valor de R$ 121,93 pode ser parcelado em até 36 vezes. Para o preço de R$ 14,80, porém, ainda não está fechado o número de parcelas. Mas devem ser no máximo três, adiantou o gerente comercial. O serviço de atendimento de esgoto sanitário atinge 40% da população do Paraná, segundo o site da companhia.
Já o aumento de capital por parte do Estado na Sanepar, apesar de previsto, não foi abordado ontem na reunião. Segundo o presidente do Conselho de Administração da companhia, Pedro Henrique Xavier, não há data para o assunto voltar a pauta do conselho. Ele fará uma explanação sobre a situação da Sanepar na próxima terça-feira, durante a reunião do secretariado. Antes disso, o conselho não voltará a discutir o assunto.
O Estado quer promover um aporte de R$ 400 milhões na Sanepar. Isso porque o governador Roberto Requião (PMDB) não concorda com o pacto de acionistas fechado com o consórcio Dominó. O pacto foi firmado na gestão do antecessor Jaime Lerner (PSB), e na opinião de Requião o acordo foi lesivo ao Paraná porque deu ao grupo privado a prerrogativa de dar as cartas na direção da companhia. Isso, porém, foi negado pelo porta-voz do Dominó.
O aumento de capital, na opinião de Xavier, é fundamental para a sobrevivência da empresa. No início do ano passado, pouco depois de assumir o governo, Requião baixou um decreto anulando o pacto. Por conta disso, o governador enfrentou uma longa briga nos tribunais com o consórcio Dominó. O pacto foi suspenso pela Justiça.
O aumento de capital na Sanepar, já aprovado pela Assembléia Legislativa, transforma a dívida no valor de R$ 398 milhões que a empresa tem junto ao governo do Estado em ações do governo, sócio majoritário com 52,5% do capital.
O Conselho de Administração divide com a diretoria executiva da Sanepar várias atribuição de gestão. A decisão foi tomada durante uma reunião do conselho e da diretoria realizada no último dia 10. O objetivo é fortalecer o conselho. Essa linha de trabalho foi determinada pelo governador também para a Companhia Paranaense de Energia (Copel), e dá aos conselheiros uma proximidade maior com as questões administrativas.


