Tarifa atual inviabiliza concessão, diz ABCR
Tarifa atual inviabiliza
concessão, diz ABCR
Mauro Frasson O diretor da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), no Paraná, Washington Lemos Filho (foto), garantiu durante o fórum que as tarifas atuais não são suficientes nem para manter os serviços de conservação das estradas. Ele apresentou os dados das empresas aos usuários. Se continuar muito tempo o impasse, as concessionárias não conseguirão recuperar os prejuízos nem ao final dos 24 anos de concessão, disse.
Para ele, a definição do valor da tarifa depende principalmente do cronograma de obras. Se o governo exigir muitos investimentos a curto prazo o reajuste terá que ser maior, caso contrário o aumento pode ser diferenciado por trecho concedido, só depende da vontade do poder concedente.
Lemos Filho confirmou que nas últimas duas semanas as concessionárias não foram procuradas por representantes do governo para negociar um reajuste menor que o autorizado pela Justiça. Essa negociação está descontinuada. Segundo ele, as concessionárias são as maiores interessadas no fim do impasse. Da forma como está, o empreendimento fica totalmente inviabilizado.
As reclamações de produtores rurais e transportadores sobre a influência do pedágio no valor do frete são infundadas, segundo Lemos Filho. Ele diz que os estudos apresentados pela Faep têm vários equívocos. Eles consideram que toda a safra escoa apenas pelo Anel de Integração, quando na verdade apenas 60% da produção passa pelo pedágio, lembrou.
Um acordo para reajuste diferenciado das tarifas de pedágio no Paraná, evitando a decisão pela Justiça, parece ser quase impossível. É que representantes de usuários, governo e concessionárias não conseguem afinar o discurso nem mesmo sobre as propostas que estão em discussão. O presidente do Setcepar, Rui Cichella, disse que a entidade requereu um desconto de 40% sobre o valor reajustado em 116%.
Segundo ele, isso representaria um valor final por quilômetro rodado de R$ 0,039 por eixo. Essa é a tarifa média cobrada no Estado de São Paulo. O secretário Herwig, por outro lado, afirmou que essa proposta foi apresentada pela Fetranspar e que o governo aceitou uma redução de 30% para os caminhões, depois do aumento. Para Lemos Filho, o desconto de 40% sobre o reajuste de 116% é inviável. Isso quebrará todas as empreiteiras a médio prazo.
O desconto de 30% poderia ser viável em alguns trechos. Cada concessionária tem uma realidade diferente, não adianta tentar chegar a um único número porque isso não vai funcionar, disse Lemos Filho.





