A luta de 20 anos de Péricles de Holeben Mello para conquistar a Prefeitura de Ponta Grossa foi coroada com uma vitória histórica nas urnas: mais de 72 mil votos. Justamente por estar nessa luta há tanto tempo, as idéias de administração do PT estão muito bem planejadas. Mas ele não contava em encontrar uma prefeitura com tantos problemas. A posse de Péricles acontece hoje, às 14 horas, na Câmara de Vereadores.
Depois de conseguir quebrar a resistência ao partido em uma das cidades mais conservadoras do Paraná, o desafio agora será mostrar serviço em meio à escassez de recursos. ‘‘Sabemos da tarefa difícil, mas ânimo não nos falta’’, declarou Péricles. A verdade é que só assumindo ele terá uma noção real do tamanho do rombo. ‘‘Sabemos que a dívida está em torno de R$ 60 milhões, mas desconfiamos que a situação é mais grave.’’
A receita que deve ser adotada por Péricles para enfrentar a crise é uma velha conhecida de administradores em dificuldades: corte de gastos. ‘‘Ainda não sabemos se vamos ter que cortar pessoal, mas horas extras certamente serão proibidas’’, adianta.
Estruturalmente, Péricles assume uma cidade com quase 70% das ruas tendo somente cascalho, um parque de máquinas sucateado num momento em que as estradas rurais precisam estar em boas condições para escoamento da safra, além de cerca de 34 mil pessoas morando em áreas irregulares (algumas de risco). ‘‘Das cidades de porte médio, eu considero Ponta Grossa a que tem mais problemas urbanos.’’
Nesse contexto, a administração decidiu tomar como exemplo Santo André (SP). Técnicos da cidade estiveram em Ponta Grossa ajudando os futuros administradores a traçar estratégias. ‘‘Nosso governo vai ser planejado permanentemente, com pesquisa e com ações colegiadas.’’
O colegiado, formado por secretários, coordenadores de área e vereadores da situação será uma inovação do partido no município, juntamente com a organização dos conselhos de vila. Esses conselhos estarão presentes nas 140 vilas do município e serão formadas por lideranças das comunidades.
Péricles afirma que sua ação política será orientada por três eixos principais, discutidos com a comunidade durante a campanha eleitoral. O primeiro é o resgate da identidade cultural e da imagem de Ponta Grossa e dos Campos Gerais. ‘‘Ponta Grossa tem enormes potencialidades que estão adormecidas’’, considera.
Outro eixo será o combate à pobreza, sendo que uma arma a ser utilizada é a estruturação de uma economia solidária. ‘‘O desafio é encontrar soluções que gerem uma economia alternativa sem muito dinheiro. Essa é a estratégia fundamental que rege a economia solidária. Isso ajuda a amenizar a pobreza, sem muitos recursos.’’
O terceiro eixo é a vocação de Ponta Grossa que, para Péricles, abrange o turismo e a indústria, especialmente pela localização estratégica. ‘‘Temos o principal entroncamento ferroviário do Sul do País, estamos a poucos quilômetros de São Paulo e somos o principal caminho para os países do Mercosul’’, destaca.

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