Tápias inicia saída de empresa
Mas novo ministro diz que só fala sobre o cargo depois da posse
Arquivo FolhaTápias: pronto para assumir Ministério do Desenvolvimento
Agências Estado e Folha
De São Paulo
O futuro ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, iniciou ontem o processo de desligamento da presidência do Grupo Camargo Corrêa, participando ontem de uma reunião do Conselho de Administração, quando pediu renúncia. O grupo deverá decidir agora quem substituirá Tápias, mas a tendência é para uma solução interna. Nos bastidores já aparece o nome de Rafael de Freitas, diretor geral do grupo.
Tápias não quis falar sobre planos no ministério: Só depois que assumir o cargo, o que ocorrerá na próxima semana. Antes não falarei nada. Nos corredores da Camargo Corrêa, Tápias recebeu muitos cumprimentos de funcionários. Ele havia saído na segunda-feira à tarde da companhia e foi a Brasília, onde acabou aceitando convite do presidente Fernando Henrique.
O ex-ministro do Desenvolvimento, Clóvis Carvalho, disse ontem em São Paulo, sobre a nomeação de Tápias para seu lugar: Acho ótimo. Ele será servidor público apreciado pelo Brasil. Tem muita contribuição a dar. Questionado se sua saída do governo se deve ao confronto entre monetarismo e desenvolvimentismo, o ministro respondeu: Sem comentários. Essa é uma pergunta absolutamente velha.
O ex-ministro também não quis revelar seus planos para o futuro. São coisas da minha vida, que eu não preciso conversar mais com vocês. No início da noite, Clóvis foi ao Palácio do Planalto para uma reunião com o presidente Fernando Henrique Cardoso.
O presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Antônio Corrêa de Lacerda, elogiou a escolha no nome de Alcides Tápias, pelas qualidades técnicas do executivo, conquistadas junto à iniciativa privada. Entretanto, ele duvida do espaço que Tápias terá para atuar em meio ao falso de debate predominante no governo entre desenvolvimentistas e monetaristas. Esse debate induz a uma falsa situação que torna desenvolvimento e política monetária incompatíveis, avaliou.
O economista disse que existem hoje no governo dois grupos distintos, monetaristas e desenvolvimentistas, e que isso tem de acabar. A impressão que se dá é que existem os guardiões do dinheiro público de um lado e os gastões de outro, querendo estourar o Orçamento , definiu ele.





