Tápias assume mantendo equipe anterior
Gecy Belmonte
Agência Estado
de Brasília
O novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias, que toma posse hoje no cargo, em solenidade a ser realizada no Palácio do Planalto, passou todo o dia de ontem no ministério. Vim conhecer a equipe, fazer uma análise dos programas e dar solução de continuidade aos trabalhos, disse o ministro, ao chegar à pasta, às 9h30. A reportagem apurou que Tápias está preocupado com a baixa performance da balança comercial brasileira e com o atraso na votação da reforma tributária. Esses pontos deverão ser priorizados pelo novo ministro.
Após se reunir com o ministro interino, Milton Seligman, e os técnicos da pasta, o ministro permaneceu no futuro gabinete, onde almoçou com um antigo colaborador e amigo, o ex-gerente do Bradesco Luís Roberto Caires.
Durante a reunião com Seligman e os técnicos do ministério, Tápias fez uma pequena apresentação da vida profissional e, a exemplo do ex-ministro Clóvis Carvalho, convidou todos os titulares de cargo de confiança a permanecer nas respectivas funções. Na breve exposição, ele enfatizou que por não ser vinculado a nenhum partido político seguirá estritamente a orientação do presidente Fernando Henrique.
Tápias também deixou claro que não tolerará que eventuais divergências internas se tornem públicas. Ressaltou que as divergências são saudáveis, mas devem ser resolvidas internamente para o ministério se manifestar sempre com uma posição única sobre um determinado tema, de acordo com um dos participantes da reunião. Tápias também deu a garantia de que todos os programas do ministério terão continuidade, incluindo o projeto de planejamento estratégico que começou a ser desenvolvido por Carvalho. Peço a colaboração de todos os senhores, disse.
Durante o encontro com os assessores, o novo ministro, além de perguntar sobre a origem profissional de cada um, quis obter uma resposta sobre quem aceitaria permanecer na função ou não. Na ocasião, a única exceção a não confirmar permanência no cargo foi o secretário de Política Indústrial, Hélio Mattar, que veio para o governo a convite do ex-ministro Celso Lafer. Mattar disse a Tápias que, antes de tomar uma decisão, iria conversar com FHC.
Ao deixar o ministério, no fim da manhã, Mattar disse que a reunião com o novo ministro tinha sido ótima e que Tápias estava muito entusiasmado. O ministro foi muito objetivo, está buscando resultados e mostrou uma maneira transparente de trabalhar, afirmou.
A conversa com o novo ministro também deixou satisfeitos o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Andrea Calabi, o secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), José Botafogo Gonçalves, e a secretária de Comércio Exterior, Lytha Spindola. O presidente do BNDES disse que o ministro conhece bem a instituição, uma vez que atuou no setor, quando ocupou a vice-presidência do Bradesco. Calabi disse que os programas do banco serão mantidos, assim como a ênfase à exportação. Gonçalves e Lytha também informaram haver prestado informações ao ministro sobre o desempenho das respectivas áreas.





