Tapa-buraco foi dinheiro jogado na sarjeta
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sexta-feira, 24 de novembro de 2006
Agência Brasil 
Brasília - O ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União, disse ontem que a operação tapa-buracos, realizada pelo governo federal no primeiro semestre do ano, resultou em uma série de irregularidades. Segundo ele, após as chuvas das últimas semanas, os buracos voltaram em cerca de 40% dos 26 mil quilômetros de rodovias precariamente recuperadas pelo Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit), das rodovias brasileiras. ''Foi dinheiro jogado na sarjeta'', resumiu o ministro, relator da área de infra-estrutura do TCU.
O ministro citou como exemplos de irregularidades nas obras feitas em 101 trechos das estradas a recuperação de trechos sem caráter emergencial; os preços pagos acima do marcado; a falta de projetos; e as multas aplicadas a superintendentes do Dnit ou por contratos irregulares ou por ausência de contrato para as obras.
O TCU auditou 101 obras e contatou que em 60% foram encontradas irregularidades. Desse total, 20% apresentou problemas graves, como os trechos das rodovias BR 330 (Bahia), entre os quilômetros 718 e 830, e da BR 02 (Goiás), entre os quilômetros zero e 252.
''Encontramos um verdadeiro caos nas estradas. Se o país quiser crescer mais 3% ao ano, não terá capacidade de escoamento da produção. Temos um gargalo'', destacou Nardes, acrescentando que, para haver esse crescimento, é necessário remodelar a infra-estrutura modal do país, nas áreas de transportes e de portos, criando profissionalismo nas agências do setor e no governo. Ele diz que falta ao setor de transportes projetos mais adequados e planejamentos inteligentes.
O relatório sobre o setor brasileiro de transportes, elaborado pelo TCU, aponta que a má conservação da malha rodoviária do país, nos últimos 30 anos, causou um prejuízo ao patrimônio público brasileiro de US$ 200 bilhões. O documento do TCU conclui ainda que a inibição do desenvolvimento econômico, a elevação do custo operacional dois veículos, o aumento do índice de acidentes e o acréscimo do custo dos fretes e passagens rodoviárias são outros pontos negativos gerados pelo mau estado das rodovias nacionais.
O relatório aponta como causas para esse prejuízo as dificuldades de ordem administrativa, gerencial e institucional e o financiamento insuficiente, ''passando pela priorização, por instâncias políticas, de ações de cunho social, em detrimento dos argumentos defendidos pelo corpo técnico rodoviário do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit).


