Tanques avançam contra sede da ANP
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sábado, 21 de setembro de 2002
Sophie Claudet<BR>France Presse 
Ramallah - Os tanques israelenses se encontravam ontem a menos de dez metros sede do Governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP), quartel general de Yasser Arafat, cuja estrutura foi danificada por uma série de explosões de dinamite. Arafat, isolado desde quinta-feira à noite, declarou-se ''disposto a morrer como mártir'' e assegurou que ''jamais se renderá'', ao falar por telefone com o deputado árabe israelense Ahmed Tibi.
O ministro palestino das Finanças, Salam Fayad, classificou ontem de ''tensa, difícil e muito grave'' a situação no quartel general de Arafat. ''As escavadeiras continuam trabalhando e já destruíram todas as estruturas que cercam o prédio em que estamos'', acrescentou. Fayad confirmou que cerca de 250 pessoas estão no prédio e que encontram dificuldades para dormir ''neste espaço reduzido''.
Ontem o líder palestino foi visto coberto de pó depois dos intensos bombardeios do Exército israelense. Arafat está confinado no segundo andar de seu escritório na Mukata. Seu assessor mais próximo, Nabil Abu Rudaina, afirmou que a vida do presidente corre perigo.
A direção palestina pediu ontem a todas as organizações palestinas que cessem seus ataques contra os civis em território israelense, em um comunicado oficial publicado em Gaza.
Por sua parte, o governo israelense, que reiterou sua determinação de conseguir a rendição dos 20 palestinos a quem persegue e que se encontram entrincheirados na Mukata de Ramallah, não descarta a possibilidade de um assalto do exército.
''Os objetivos são claros. Consistem, primeiro, em isolar Arafat; depois em capturar os chefes terroristas perseguidos e, terceiro, em fazer (os palestinos) pagarem um preço pelos últimos atentados'', declarou o secretário de governo, Gideon Saar, à rádio pública. ''Não debateremos a maneira como serão alcançados esses objetivos. O exército sabe perfeitamente o que tem de fazer e receberá, se for necessário, instruções do escalão político'', acrescentou.
O governo israelense decidiu na quinta-feira passada, como reação ao atentado suicida em Tel Aviv, que causou seis mortos e 60 feridos, isolar Arafat em seu escritório de Ramallah e exigir a rendição dos palestinos perseguidos. Um total de 19 palestinos, que estavam no local, se renderam depois da demolição, na madrugada de ontem, de uma passarela que conectava as instalações de Arafat a uma sala de recepção próxima.
Ontem os militares se dirigiram aos palestinos entrincheirados nos escritórios de Arafat através de alto-falantes, pedindo que se rendessem. O ministro israelense da Defesa, Binyamin Ben Eliezer, afirmou, no entanto, que Israel não tem intenções de ''expulsar'' o líder palestino dos territórios.
O Conselho de Segurança da ONU deve reunir-se amanhã pela manhã para debater o tema do assédio ao quartel general de Ramallah, anunciou em Nova York um porta-voz das Nações Unidas.


