Taniguchi, o aliado de primeira hora de Lerner
José Fernando da Silva
Albari RosaCássio Taniguchi diante da Prefeitura: discrição e eficiência nos negócios da política paranaense
Engenheiro formado pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e com um currículo repleto de serviços na área técnica, o prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi (PFL) tem agora uma rotina de trabalho bem afastada da prancheta. Trabalhando em média de 12 a 14 horas por dia, Taniguchi prefere fiscalizar pessoalmente obras nos bairros da cidade e, entre uma obra e outra, encontra tempo para fazer política. Embora negue que o PFL passe por uma crise interna, Taniguchi sempre se faz presente quando a situação exige paciência e muita negociação.
Foi assim quando a bancada federal do partido ameaçava rachar com o governo e bater chapa na convenção estadual. Um dia antes da reunião da bancada com o governo, Taniguchi reuniu-se com Lerner e definiu a estratégia para pacificar o PFL e estabelecer um canal de negociação permanente com o governo. Ele propôs a tranquilidade da Secretaria do Meio Ambiente, rodeada de muito verde e silêncio, como campo de conversações. Na metade do dia seguinte, o governador e sua bancada saíam satisfeitos de um almoço que teve como sobremesa as lamentações dos deputados. Tudo resolvido.
Taniguchi é um aliado de primeira hora de Lerner. Ele acompanha o governador desde o final dos anos 60. Em 1972, fez parte da primeira gestão de Lerner na Prefeitura de Curitiba. Como presidente da Companhia de Urbanização de Curitiba (Urbs), traçou os primeiros passos para o Paraná avançar na industrialização, com a fundação da Cidade Industrial de Curitiba (CIC). Criticada pelos adversários de Lerner e classificada como um inútil campo de golfe, a CIC concentra boa parte da arrecadação de ICMS do Estado.
Em 95, Taniguchi acumulou as secretarias de Planejamento e Indústria e Comércio e ampliou a idéia de tirar o Paraná da dependência da agricultura. Coordenou a equipe técnica que viabilizou a vinda da Renault para o Paraná, carro-chefe do novo ciclo econômico do Estado.
Político discreto, Taniguchi é visto pelos aliados de Lerner como virtual candidato ao governo em 2002. O prefeito de Curitiba recebeu a reportagem da Folha na última sexta-feira.
Folhaá- Aconteceu aqui, na Secretaria Municipal do Meio Ambiente uma reunião da bancada federal do PFL com Jaime Lerner. Os deputados ameaçavam um racha com o governo caso não fossem melhor atendidos pela Casa Civil. O Sr. atuou como uma espécie de ‘‘bombeiro’’ para acalmar a bancada governista?
Cássio Taniguchi - Tivemos uma reunião no domingo com várias pessoas, inclusive com o governador. E ao discutir o assunto da reunião marcada para o dia seguinte com os deputados federais e o presidente da Assembléia, deputado Aníbal Khury, o próprio Lerner sugeriu este local. Respondi que era uma boa idéia, até mesmo para que não se tivesse dúvidas com relação ao respeito que o governador tem pelos deputados e pela sua bancada de apoio. Aníbal achou que era uma boa idéia. Foi apenas isso. Não houve nenhum corpo de bombeiro atuando Houve um consenso que era melhor conversar antes de interpretações.
Folha - A crise no partido está superada?
Taniguchi á- Acho que nunca houve crise. Penso que há todo um entendimento. O partido está tranquilo, nunca houve crise, nós temos um entendimento muito bom, tanto com a abancada federal quanto com a estadual.
Folha - O Sr. acha que as queixas dos deputados, principalmente os federais, são procedentes?
Taniguchi á- Eu diria que são às vezes más interpretações. Eu acho que esta questão já está superada, com o próprio Cândido (Cândido Martins de Oliveira, secretário-chefe da Casa Civil) já foi designado pelo governador como interlocutor político. Ele está atendendo a todos dentro das condições dele. Eu não vejo realmente crise no partido.
Folha - O Sr. pertence a equipe do governador, que tem um perfil técnico. Vocês têm dificuldades em fazer política?
Taniguchi á- Eu não diria que seria um perfil técnico. Nós temos dentro do nosso grupo, PFL, pessoas com vários perfis. Entre os quais, técnicos, políticos, administrativos. E não vejo como nominar determinada tendência desta equipe. O próprio Jaime tem se mostrado extremamente político quando procura ir ao interior levar os programas de governo para que as prefeituras, agricultura, indústria, enfim para que todos os segmentos da sociedade saibam o que ele está fazendo.
Folha - O Sr. está participando das conversas com os outros partidos para coligações com o PFL?
Taniguchi á- Não. Estou fora desta parte, até mesmo porque já existe um interlocutor político que é o Cândido.
Folha - A industrialização do Estado, principalmente em Curitiba, está fazendo a cidade crescer exageradamente?
Taniguchi á- Em relação a outros municípios da Região Metropolitana eu diria que não. Crescemos a uma taxa de 2,3% ao ano, enquanto municípios crescem até 10% ao ano. A média dos municípios da RM está em 4,7% mais ou menos. Curitiba está bem abaixo disto, isto significa que os municípios vizinhos estão crescendo muito mais rapidamente. Temos uma preocupação muito grande, como prefeito da Capital, de estabelecer uma parceria, uma ponte com nossos colegas prefeitos, para que a gente possa caminhar juntos em busca de soluções dos problemas que estão ocorrendo nos municípios.
Folha - A segurança em Curitiba é talvez o maior problema enfrentado pela população. O senhor está discutindo este assunto com a Secretaria de Segurança?
Taniguchi á- Sim, com certeza. Nós estamos não só discutindo com a Secretaria, mas também com o governador. Já temos um plano de ação, que o governador provavelmente anuncia nesta segunda-feira (amanhã). Este plano envolve uma atuação nos efeitos e causas, com o efetivo da polícia nas ruas. Mas para combater estes efeitos da violência não é só com a polícia na rua. É necessário um aparato de ação social de peso do município e do Estado, de forma conjugada. Estamos fazendo uma coordenação geral com a Polícia Militar, Civil, Ministério Público e Secretaria da Justiça para que a gente possa atuar em conjunto envolvendo mais ainda a comunidade. Pois não adianta nada ter a polícia na rua, os órgãos da Justiça atuando, se a própria comunidade também não estiver ajudando a polícia, porque eles sabem quem são os bandidos. A segurança é um problema de todos nós.
Folha - O Sr. acredita que a segurança vai ser um ponto importante da campanha para a reeleição de Lerner?
Taniguchi á- Com certeza. No interior nem tanto. Somente nas grandes cidades como Londrina, Foz do Iguaçu, Maringá. Por isso estamos elaborando um plano consistente de ação, combatendo os efeitos e as causa da violência.

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