Curitba - Cassio Taniguchi disse ontem à imprensa que não houve favorecimento da empresa Shopping do Cidadão Serviços de Informática Ltda., responsável pelo estudo de viabilidade do Programa ''Tudo Aqui Paraná''. O secretário de Estado do Planejamento falou com os jornalistas no começo da noite, após duas semanas de críticas da oposição na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná. O estudo feito pela Shopping do Cidadão embasará licitação de R$ 2,9 bilhões, que repassará a prestação de 171 serviços públicos à iniciativa privada. Nove ''centrais de serviços'' ficariam responsáveis pelo atendimento da população, sendo três na capital e seis no interior (inclusive Londrina).
A Parceria Público Privada (PPP) durará 25 anos, renováveis por igual período, e o Estado pagará mensalmente à vencedora uma contrapartida estimada em cerca de R$ 10 milhões. A vencedora ainda não é conhecida, pois a licitação será iniciada no próximo dia 25 de abril, mas o processo é criticado pelo deputado estadual Tadeu Veneri (PT), líder da oposição na AL. Ele questiona a rapidez com que o governo do Paraná habilitou a empresa Shopping do Cidadão a realizar o estudo de viabilidade (24 horas) e o fato de só ela ter se apresentado para a tarefa.
Taniguchi disse que Veneri está vendo ''chifre em cabeça de cavalo'' e atribuiu as acusações ao desconhecimento da lei das PPPs. Ele contou para os jornalistas que, após a eleição de Beto Richa (PSDB) para o governo do Paraná, a empresa Shopping do Cidadão procurou a administração para oferecer a prestação desse tipo de serviço, que já constava no plano de governo do tucano. Essas centrais já existem em São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Bahia, por exemplo, geralmente implantadas por governos do PSDB. ''Nós dissemos para eles aguardarem o edital'', disse o secretário, lembrando que a lei das PPPs ainda estava sob análise dos deputados estaduais.
Publicada a ''manifestação de interesse'', quando o Estado pede que empresas se apresentem para prestar determinado tipo de serviço, em 24 horas a empresa Shopping do Cidadão recebeu autorização para iniciar o estudo de viabilidade (base da futura licitação). ''Nós resolvemos credenciar. Se mais alguém quisesse entrar, poderia'', rebate Taniguchi. Só que mais nenhuma empresa disputou a prestação desse estudo, a ser remunerado em mais de R$ 1,36 milhão pela vencedora da PPP. ''Não creio que tenha ouvido falta de publicidade'', disse o secretário do Planejamento, apesar da publicação ter ocorrido somente em Diário Oficial.
''Depois de terminado o estudo, fizemos a análise, e foi lançada uma concorrência pública. Qualquer um poderá entrar, mesmo não tendo feito um estudo próprio de viabilidade. Se alguém oferecer proposta melhor que a original, ganha'', disse Taniguchi, que irá se reunir com os deputados estaduais amanhã pela manhã, em reunião fechada na sala da presidência.

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