Ex-braço direito do governador Jaime Lerner na Secretaria do Planejamento e Coordenação Geral, o prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi, endossou ontem a mudança de funções de sua antiga secretaria, atribuindo-a à necessidade de reestruturação, ‘‘em função do perfil do novo secretário’’. Taniguchi não admite que com a definição esteja reforçando o temor do governo de deixar o controle do orçamento nas mãos do ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, por ele ter fama de ‘‘gastador’’.
A transferência do controle do orçamento e das diretrizes orçamentárias da Secretaria do Planejamento para a Secretaria da Fazenda está sendo encarada nos meios políticos como uma ação para esvaziar a atuação de Greca no governo. ‘‘É melhor que a arrecadação e a coordenação das despesas fiquem numa única secretaria, por exigir uma articulação muito grande quando em secretarias distintas’’, afirmou Taniguchi.
O atual prefeito de Curitiba emenda que manteve um entrosamento perfeito com o secretário da Fazenda, Miguel Salomão, mas procura afastar qualquer insinuação de que com Greca poderia acontecer o contrário. ‘‘Eu não disse isso’’, ressalvou.
Taniguchi diz que no Planejamento foi ‘‘um secretário que disse ‘não’ com muita ênfase’’ aos demais secretários, mas aponta que depois de sua saída para concorrer à Prefeitura de Curitiba ‘‘houve um descompasso’’ entre a receita do Estado e o que o governo gastou em projetos. ‘‘O que aconteceu é que, no afã de realizarem seus programas, os secretários extrapolaram nas contas’’, disse Taniguchi. O balanço de 96 apresenta um rombo no caixa do governo da ordem de R$ 500 milhões em dívidas atrasadas.
O ex-secretário não vê razões para pedidos de extinção da Secretaria do Planejamento - como propõe a bancada do PMDB na Assembléia -, nem para afirmações de que Greca foi para o governo Lerner, mas ficou sem caneta. ‘‘O Rafael vai se ocupar do planejamento estratégico do governo e da execução de seus projetos, dentro de uma visão econômica e social’’, afirmou.

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