O chefe-administrativo do Instituto Médico Legal (IML) de Londrina, Fernando Piccinin, disse que a realização da tanatopraxia (técnica de conservação de cadáveres) só é necessária e exigida por lei se o sepultamento ocorrer mais de 24 horas após o falecimento ou se o corpo tiver que ser transportado por via aérea. A informação contraria frontalmente a alegação de servidores para ''empurrar'' a venda do serviço - de acordo com familiares que prestaram depoimento ao Ministério Público (MP). Segundo eles, os servidores fazem diversas alegações para justificar o serviço - como tempo de internação, tipo da doença e temperatura ambiente.
''A posição oficial do IML é que a tanatopraxia só é necessária nestas duas situações - velório com mais de 24 horas ou transporte aéreo. Nós também fizemos uma consulta a vários profissionais médicos e esse posicionamento foi unânime'', afirmou Piccinin. ''Fora isso, é facultativo da família, por questões estéticas, reconstituição facial ou outro motivo.'' De acordo com o porta-voz do IML, via de regra, o tempo de internação e a natureza da enfermidade ''não interfere em nada no velório''. Nestes casos, apenas a preparação do corpo pela própria Acesf já atende às necessidades de um velório normal.
A FOLHA conversou ontem com os proprietários das duas empresas particulares que prestam serviço de tanatopraxia em Londrina - Tanatorium Bom Pastor e Tanato - e ambos negaram pagamento de propina para funcionários da Acesf ''turbinarem'' o envio de corpos. A técnica custa entre R$ 1.200 e R$ 1.800 e só é realizada por estes estabelecimentos. Cada empresa realiza em média de 30 a 40 procedimentos por mês e reconhece pagamento de R$ 100 à Acesf em cada caso para transporte dos corpos. Os representantes das empresas foram evasivos quanto à definição dos critérios sobre a necessidade de adoção da técnica e criticaram as pessoas que têm procurado o MP para registrar denúncias.
Jéferson Guilherme Martins, proprietário da Bom Pastor, disse que ''é difícil falar em tempo porque cada corpo tem um tipo de decomposição''. ''O metabolismo de cada corpo depende do clima e vários fatores. (...) Tem casos que não tem como dizer se precisa ou não.'' Para Martins, o número de reclamações que chegou às autoridades é pequeno perto do universo de pessoas que passaram pela tanato. ''Não sei se acontece nessa proporção que tem sido colocada. Parece que tiveram cinco ou seis reclamações à Controladoria da Prefeitura, isso, num universo de 50 tanatos por mês, há oito anos. Então não sei não estão se embasando na minoria.''
O gerente da Tanato, André Luiz da Maia, disse que tem casos em que o tempo de velório é importante para definir a necessidade da tanato, ''mas ao mesmo tempo tem casos que não''. ''Tem que ver a condição do corpo. Às vezes, após 40 minutos está extravasando (líquidos). Quando o infarto é fulminante, por exemplo, o corpo incha muito rápido e é necessário.'' Para Maia, as denúncias que chegam ao MP podem ser fruto de má-fé. ''Tem muita gente se fazendo de coitado, mas não é assim.'' Ele ressaltou também que a empresa realiza alguns procedimentos de graça como ''serviço social voluntário''.

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