Tamura e procurador mudam discurso e invocam 'legalidade'
Tão rápido quanto o processo de convocação e posse do primeiro suplente Sidney de Souza (PTB) foi também a mudança nos discursos do presidente interino da Casa, Jairo Tamura (PSB), e do procurador do Legislativo, Maurício Emmanoel. Em entrevista aa última sexta-feira, Tamura admitira que ele próprio não teria aprovado o projeto de emenda à Lei Orgânica da forma como o fora feito pelos colegas da legislatura passada - na última sessão do ano, e com suplentes interessados na matéria presentes. ''A moralidade tem de estar acima de algo que seja vantajoso para mim'', afirmara, na ocasião. ''Como não sabemos quanto tempo durará a interinidade na Prefeitura, os 120 dias ditados pela LOM dão uma maior segurança à Casa: e se, com a alteração, a gente convoca de imediato o suplente, tira todo o quadro funcional do titular, sem saber quanto tempo este ficará fora?'', ressaltara.
Até mesmo o procurador jurídico fizera, naquele dia, uma espécie de alerta pela ''segurança política da cidade'': ''Da forma como foi feita a modificação, o mínimo que pode acontecer é o suplente ter de ser chamado cada vez que o prefeito resolver tirar férias ou ficar doente''. Ontem, contudo, Tamura e Emmanoel não quiseram se deter sobre a moralidade da convocação de Sidney - preferiram, dessa vez, citar ''a legalidade da medida''.
''Foi simplesmente pela legalidade o nosso parecer - quem conferiu mandato a ele foi o povo, o TRE o diplomou suplente, e como não havia nenhuma tramitação interna, nem judicial, contrária, como a Casa deixaria de aplicar uma lei por mera vontade política?'', questionou o procurador. Indagado se, além de legalidade, aspectos morais também foram observados, se esquivou: ''Moral é um sentido de valor estrito; às vezes o que é moral para mim, não é para você''.
Tamura não divergiu do subordinado - o qual, além de indicação dele, também é filiado ao PSB. ''Só queremos mostrar que não precisamos postergar uma decisão se ela é tomada logo'', declarou. ''E a população deu uma resposta clara nessa eleição passada - a renovação mostra atos que não são compatíveis para um vereador.'' Se a resposta da Câmara ontem foi de encontro a essa resposta da população? ''Nossa resposta é de legalidade, estamos apenas cumprindo a lei. Posicionamentos pessoais não interferem.'' (J.G.)





