O vereador afastado, Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), deve solicitar licença da corregedoria da Câmara Municipal se o Tribunal de Justiça (TJ) o reconduzir ao cargo. A informação foi confirmada pelo próprio parlamentar, que, meio ''perdido'' e sem graça, circulou pelos corredores do legislativo ontem durante toda a tarde enquanto enquanto a sessão plenária transcorria sem a presença de dois vereadores - do próprio Tamarozzi e de Jamil Janene (PMDB). Ambos foram afastados do cargo na quarta-feira passada por decisão do juiz da 1 Vara Cível, Mauro Ticianelli, em função de suposto envolvimento em esquema de cobrança de propina.
''É uma situação constrangedora. O afastamento (da corregedoria) é um dos pensamentos nossos, mas só depois de voltar ao cargo. Vou conversar com a Comissão de Ética sobre isso'', disse Tamarozzi à FOLHA. O corregedor, de acordo com o Código de Ética, é o responsável pela fiscalização do decoro e do bom comportamento dos vereadores. Se não conseguir a reversão de seu afastamento, Tamarozzi disse que a Comissão de Ética tem poder para substituir o corregedor. ''Nesse caso, não preciso nem comunicar, a própria Comissão faz isso.''
O presidente da Câmara, Sidney de Souza (PTB), que voltou ontem à condução das sessões após a ausência de quinta-feira, rechaçou qualquer possibilidade de se licenciar da presidência. Ele também foi afastado do cargo pela 1 Vara, mas conseguiu reverter a medida no TJ na sexta-feira. Souza é citado em pelo menos 12 denúncias de cobrança de propina sob investigação do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em três ações judiciais e em uma representação por quebra de decoro parlamentar em trâmite na Câmara.
''São vários vereadores denunciados e nos manteremos nos nossos cargos enquanto pudermos nos manter'', disse o presidente - sem saber do anúncio de Tamarozzi. Afastando qualquer constrangimento com a situação, complementou que se for alvo de novos pedidos de afastamento - ontem ele se livrou de mais um -, estará ''preparado''.''Se houver determinação judicial, nos afastamos, e com nossos advogados teremos a faculdade de recorrer.''

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