Brasília - O presidente da TAM, Marco Antonio Bologna, disse ontem em depoimento à CPI do Apagão Aéreo da Câmara que a companhia disponibilizou US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 2,8 bilhões) para as indenizações e gastos materiais do acidente com o Airbus A320 - o que inclui o pagamento aos parentes das vítimas e a cobertura da parte material do choque. ''É um amplo valor para cobrir danos às pessoas e aos bens. A TAM vai se responsabilizar integralmente pelo pagamento da indenização. O que nos consola é a fé e a crença. A gente não consegue ter de volta nossos entes queridos, mas podemos dar as necessárias condições de apoio'', afirmou.
Bologna disse que vai entregar à CPI cópia de carta encaminhada aos parentes das vítimas com os detalhes das negociações sobre o acidente. O presidente da TAM assegurou que a apólice do acidente cobre os moradores do entorno de Congonhas, que foram retirados de casa após o choque da aeronave, além do taxista morto na tragédia, que passava no local do acidente.
O presidente da TAM afirmou que o avião voava com peso abaixo do máximo previsto para a aeronave. Segundo ele, o avião pousou no terminal com 62,7 toneladas, enquanto o máximo previsto era de 64 toneladas. Bologna disse que a aeronave foi incorporada à frota da TAM em dezembro do ano passado, mas já tinha 22% de sua vida útil, já que foi adquirida em consórcio firmado pela companhia com empresas internacionais.
Bologna reconheceu que a aeronave estava com um de seus reversos ''pinados'' (travados), mas ressaltou que a Airbus autoriza o vôo até quando os dois reversos das aeronaves estão travados. Ele ressaltou, no entanto, que a companhia aérea faz manutenções periódicas nas aeronaves e cumpre as normas internacionais de segurança aérea.
Ele prometeu encaminhar à CPI documentos que detalham as manutenções realizadas no Airbus que se acidentou em Congonhas. Bologna assegurou que, no dia do acidente, o avião respeitou os limites de combustíveis, voando com apenas um quarto de sua capacidade nos tanques.
Bologna disse também que a inatividade do reverso direito do Airbus-A320 não pode ser apontado como causa do acidente com o vôo 3054. De acordo com Bologna, a decisão de ''pinar'' (travar) o reverso assegura maior segurança ao vôo e não é fator essencial para a frenagem do avião.
Ele afirmou que, mesmo em pistas molhadas, o Airbus teria condições de pouso caso os dois reversos da aeronave estivessem pinados. O presidente da TAM afirmou que, depois do acidente, a empresa não emitiu nenhum boletim interno para orientar os pilotos a não pinarem os reversos. ''A possibilidade de pinagem é baixa. A frota da TAM não tem atualmente nenhum reverso nessa característica. A orientação que foi dada é que a gente consulte o fabricante e tome a decisão correta até o final da investigação'', afirmou.
Apesar de não considerar a pinagem no reverso como uma das causas do acidente, Bologna evitou especular sobre os motivos que teriam provocado o choque do Airbus com o prédio da TAM Express, em Congonhas. Ele também evitou comentar a hipótese de que problemas no manete (sistema de frenagem do Airbus) teriam provocado o acidente. ''Há conclusões sobre o manete, fator humano, pista de Congonhas. Tudo isso fará parte do conjunto das investigações.''
Bologna disse, no entanto, que a ausência de grooving (ranhuras que auxiliam no escoamento de água) na pista de Congonhas dificultam o pouso de aeronaves no terminal. '' Se houvesse o grooving, a gente poderia ter situação mais tranquila. Mas o procedimento naquele momento era adequado, baseado na medição de lâmina d'água'', disse.

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