O fenômeno petista que tomou conta de mais de 52 milhões de eleitores no segundo turno das eleições presidenciais reflete o crescimento do partido registrado nos últimos anos. ‘‘O PT já vem ganhando terreno há algum tempo, é o partido que mais prontamente vem galgando cadeiras nas Assembléias e na Câmara dos Deputados. Como o PT sempre foi oposição, começou a ganhar estados e municípios’’, afirmou o professor de Ciências Políticas, Mário Sérgio Lepre, de Londrina.
  Conforme o professor, a aproximação do Partido dos Trabalhadores com setores do centro da política, passando ao chamado ‘‘PT Light’’, ajudou na consolidação da eleição de Luiz Inácio Lula da Silva. ‘‘Caminhando para o centro e elegendo como vice um empresário (José de Alencar, do PL), o partido ganhou a simpatia de setores que antes não aceitavam o PT’’, explicou.
  Segundo Lepre, a credibilidade da votação eletrônica consolida o processo e faz com que as pessoas dêem mais valor ao voto. ‘‘O eleitor começa a perceber que o voto está valendo quando as eleições não são fraudadas’’, observa. ‘‘Mas ainda falta muito. Nossos partidos são fracos. Os aliados de hoje são opositores de amanhã e os opositores de hoje são aliados ontem. Talvez por isso o PT tenha vantagens e me parece que ainda é um pouco mais autêntico.’’
  No âmbito municipal, a análise de Lepre é otimista. ‘‘O prefeito de Londrina, Nedson Micheleti (PT), tem um belo acesso ao governo federal’’, lembrou, citando como exemplo o ex-secretário da Fazenda Paulo Bernardo, eleito deputado federal. ‘‘Talvez se abram as portas para Londrina nos governos estadual e em nível federal.’’ Mais nove municípios do Paraná são administrados pelo PT.
  Micheleti também comemora os bons resultados nas urnas. ‘‘Do ponto de vista político, saímos com uma vitória extraordinária. Nossa relação com o novo governador nem se compara com o que está hoje, e no governo federal elegemos um deputado que tem relação direta com a direção do partido e com o próprio Lula’’, disse. ‘‘Pela importância de Londrina, acredito que temos possibilidade de termos participação maior nos recursos do Estado.’’

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