Cerca de 12 horas após ter o mandato cassado pela Câmara dos Deputados, o ex-deputado Talvane Albuquerque (PTN-AL) foi preso ontem pela Polícia Civil e transferido para Maceió, onde responderá a inquérito pela tentativa de assassinato do radialista Alves Correia, ocorrida em 1993, em Arapiraca, interior de Alagoas. A suspensão do mandato de Albuquerque foi publicada ontem no Diário da Câmara dos Deputados, tornando possível a sua prisão. O ex-deputado também é apontado como o autor intelectual do assassinato da deputada Ceci Cunha, morta a tiros em dezembro passado.
‘‘Vamos responsabilizar e punir, é isso o que cobra a sociedade’’, afirmou o ministro da Justiça, Renan Calheiros. Segundo ele, o assassinato de políticos em troca de uma vaga no Congresso poderia abrir um precedente ‘‘terrível’’ para a política brasileira e, por isso, o crime deveria ser apurado com rigor. ‘‘Não se pode confundir imunidade com impunidade’’, acrescentou. ‘‘A presença do Talvane na Câmara estava incomodando os alagoanos’’, declarou o deputado Helenildo Ribeiro (PSDB-AL), segundo suplente da vaga deixada por Ceci Cunha.
Decretado na noite de anteontem, o pedido de prisão preventiva do político foi renovado ontem para que Talvane Albuquerque pudesse ser levado pelos policiais. O traslado do ex-deputado foi acompanhado pelo delegado da Polícia Civil de Alagoas, Jobson Cabral Santana, responsável pelo inquérito aberto para apurar o atentado contra o radialista. Ele veio à Brasília especialmente para essa operação e informou que ainda não foi definido em qual prisão do Estado Talvane Albuquerque ficará preso. ‘‘Só quando o Supremo Tribunal recomeçar o processo sobre a morte da deputada Ceci Cunha (PSDB-AL) é que a Polícia Federal entrará no caso’’, explicou o delegado.
O advogado do ex-deputado, Emanuel Lima, afirmou que a revogação do pedido de prisão já estava sendo articulada em Alagoas. O advogado Aiberê Arruda foi encarregado de apresentar ação, com base no artigo 74 da legislação estadual que estabelece o privilégio de fóro como uma das prerrogativas dos políticos lá eleitos. Por essa norma, Talvane Albuquerque só poderia ser preso e julgado em Alagoas.
‘‘O meu cliente não ficará muito tempo preso’’, prometeu Lima. A idéia é convencer a Justiça de que a prisão do ex-deputado em Brasília foi ilegal.
Talvane Albuquerque não reagiu à prisão. Ele foi preso ontem de manhã em sua casa e passou o dia trancado na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, à espera de sua transferência para Alagoas.
A operação que culminou na sua prisão teve início na noite da quarta-feira mesmo, logo após o anúncio da cassação. Um grupo de agentes da Polícia Federal foi destacado para um plantão no apartamento do deputado, mas não houve tentativa de fuga.

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