O deputado Talvane Albuquerque (PTN-AL) disse ontem ter ‘‘certeza’’ de que será cassado pelo plenário da Câmara. O deputado responde a processo por falta de decoro parlamentar sob a acusação de ter encomendado a morte do deputado Augusto Farias (PPB-AL) ao pistoleiro Maurício Novaes, o ‘‘Chapéu de Couro’’. ‘‘Se a Justiça não intervier, nem venho ao plenário. Vou deixar o processo correr à revelia. Nem meu advogado vou mandar. Vim hoje (ontem) à Câmara e não voltarei mais’’, afirmou Albuquerque, depois de fazer um discurso no plenário.
Albuquerque foi apontado pela polícia de Alagoas como o mandante da morte da deputada Ceci Cunha (PSDB-AL), assassinada em dezembro do ano passado. O pedido de cassação do mandato do deputado foi aprovado pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) e deverá ser votado pelo plenário na próxima quarta-feira. É necessário o apoio de 257 dos 513 deputados para aprovar a cassação. Se o mandato de Albuquerque for cassado, ele ficará inelegível por oito anos.
Na semana passada, o deputado recorreu ao STF (Supremo Tribunal Federal) para tentar suspender o processo de cassação, alegando que o envolvimento com ‘‘Chapéu de Couro’’ ocorreu no mandato passado. Dessa forma, a Câmara não poderia cassar o atual mandato.
No discurso de ontem, Albuquerque pediu a criação de uma comissão de sindicância para investigar o envolvimento de Farias na morte de Ceci Cunha, com base em depoimentos de testemunhas à polícia alagoana que reconheceram ‘‘Chapéu de Couro’’ como um dos envolvidos no assassinato. O STF recebeu ontem cópia do inquérito policial de Alagoas que investiga se Talvane Albuquerque foi o mandante do assassinato de Ceci.

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