Talvane condenado a 103 anos de prisão
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Petrônio Viana <br> Folhapress 
Maceió - O ex-deputado Talvane Albuquerque foi condenado a 24 anos e quatro meses de prisão pelo assassinato da deputada federal Ceci Cunha, e a 26 anos e oito meses pela morte de mais três vítimas, somando 103 anos e quatro meses de reclusão. O julgamento dos crimes, ocorridos em 1998, começou na última segunda-feira e a leitura da sentença começou às 5h25 de ontem (horário de Brasília) e terminou às 7h20. O juiz federal André Luiz Maia Tobias Granja anunciou na madrugada de ontem a sentença dos acusados pela chacina que matou Ceci Cunha e três parentes da parlamentar.
O advogado Welton Roberto, que defende o ex-deputado, requereu que antes da efetivação das prisões, que eles tivessem contato com seus familiares. Ele pediu também que não fossem algemados e que Talvane tivesse prisão especial, pois tem curso superior.
Após responderem as 130 perguntas elaboradas pelo juiz, os sete jurados selecionados para o caso chegaram à conclusão de que o ex-deputado Talvane Albuquerque - acusado de tramar a morte da deputada para assumir sua vaga na Câmara Federal - e outros quatro réus são culpados por homicídio triplamente qualificado. ''Segundo os depoimentos contidos nos autos, o acusado é desprovido de sensibilidade e qualquer respeito ao ser humano e sempre se referiu ao homicídio com aberrante naturalidade'', disse o juiz.
O juiz considerou Talvane Albuquerque como sendo detentor de uma ''personalidade mais perniciosa que a dos demais''. ''Sua personalidade egoísta e antiética o impede de enxergar o ser humano com importância maior que seus interesses pessoais'', afirmou. De acordo com o juiz, o acusado teve participação ativa no crime ao promover recompensa impulsionado pelo motivo torpe de assumir novo mandato de deputado federal. ''Escolheu a vítima, estabeleceu o local, entabulou negociações e forneceu os meios materiais para o crime, configurando sua premeditação'', afirmou o magistrado.
Autores materiais
Os autores materiais do crime Jadielson Barbosa (apontado como autor do disparo que matou a deputada Ceci Cunha) e José Alexandre dos Santos foram condenados a 105 anos de prisão, acumulando as penas de 25 anos pela morte de Ceci e 26 anos e oito meses de prisão pelas mortes de Juvenal Cunha, marido de Ceci, Ítala Maranhão e Iran Maranhão.
Já Alécio César Alves Vasco foi condenado a 87 anos e três meses de prisão, sendo 20 anos e 10 meses pela morte da deputada e 22 anos, um mês e 20 dias pelos outros três crimes. Por ter confessado a participação no crime, mesmo negando posteriormente, Mendonça Medeiros da Silva foi condenado a 15 anos e sete meses de prisão pela morte de Ceci. Para todos os réus, o magistrado recomendou o cumprimento das penas em regime fechado.
Também foi estabelecida uma indenização solidária por danos materiais de R$ 100 mil para os herdeiros de Ceci Cunha, Juvenal Cunha e Iran Maranhão, que tinham filhos menores de 25 anos à época do crime. Foi determinado ainda o pagamento de 500 salários mínimos para os herdeiros de cada vítima.
Citando decisões anteriores relativas a crimes de grande violência e repercussão, o juiz André Granja determinou a prisão preventiva de todos os condenados pela chacina. Eles terão cinco dias para recorrer ao Tribunal Regional Federal da 5 Região, em Recife (PE).
Logo após o fim da leitura da sentença, o advogado de defesa interpôs recurso de apelação e cobrou a remessa imediata dos autos para o TRF da 5 Região para que seja aberto prazo para apresentação das alegações recursais.
Fim da espera
A sentença foi comemorada por familiares e amigos de Ceci, que lotavam o auditório da Justiça Federal, em Maceió. Em meio às lágrimas, todos se abraçaram após a leitura da sentença.
Recurso
O advogado Welton Roberto, que defende o ex-deputado Talvane Albuquerque, disse que entrou com recurso ontem no Tribunal Regional Federal da 5 Região, em Recife, pedindo a anulação da condenação de seu cliente. Roberto disse que os indícios são frágeis e que Talvane só foi condenado pela ''lógica'' de que se beneficiaria com a morte de Ceci Cunha.


