Em despachos nos quais negou a revogação das prisões preventivas de dois executivos envolvidos no megaesquema de pagamento de propina da Petrobras na semana passada, o juiz federal Sérgio Moro admitiu pela primeira vez que há indícios de que tais crimes "transcenderam" a estatal petrolífera.
O magistrado tomou por base uma tabela apreendida com o doleiro londrinense Alberto Youssef, em diligências realizadas no dia 15 de março, ainda na primeira fase da Operação Lava Jato. No documento do doleiro são descritas 750 obras públicas dos mais diversos setores de infraestrutura.
"Na tabela, é relacionada obra pública, a entidade pública contratante, a proposta, o valor, e o cliente do referido operador, sendo este sempre uma empreiteira, ali também indicado o nome da pessoa de contato na empreiteira", escreveu Moro.
Suspeita-se ainda que projetos referentes a portos, aeroportos e ferrovias também estejam na planilha apreendida com Youssef.
O juiz destaca que, embora a investigação deva ser aprofundada, a tabela sugere que "o esquema criminoso de fraude à licitação, sobrepreço e propina vai muito além da Petrobras".
Investigadores da Lava Jato afirmaram há alguns meses que a planilha encontrada em posse do doleiro, estava servindo como uma espécie de "mapa" para desvendar os negócios em que Youssef atuou entre os anos de 2009 e 2012.
Em interrogatórios prestados à Justiça Federal no início de outubro, tanto Youssef, quanto o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa também haviam confirmado que o esquema de desvio de recursos ocorria em outros projetos públicos.

- Despacho é um termo de Direito; significa o ato processual do juiz que dá andamento ao processo

- É o dinheiro obtido ou fornecido de forma ilícita, como suborno em atos de corrupção, no Brasil, principalmente pelo superfaturamento em obras públicas

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