TA suspende prisão de Mandelli
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quinta-feira, 01 de junho de 2000
Rubens Burigo Neto De Curitiba 
Por 2 votos a 1, os juízes da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Alçada concederam ontem, em Curitiba, um habeas-corpus que suspendeu o pedido de prisão temporária expedido em 29 de março contra o empresário Paulo Mandelli. Foi uma vitória expressiva, já que se passaram mais de 60 dias e não foi oferecida nenhuma denúncia criminal contra ele, comemorou um dos advogados de Mandelli, Antônio Figueiredo Basto. Em conjunto com a Procuradoria da Justiça vamos analisar as razões que levaram os juízes a tomar esta decisão e, obviamente, vamos recorrer, avisou o promotor Paulo Kessler, da Promotoria de Investigações Criminais (PIC).
Mandelli foi acusado na CPI do Narcotráfico, no começo de março em Curitiba, de ser um dos principais envolvidos com o roubo, receptação e desmanche de carros roubados no Paraná, com o suposto acobertamento de policiais civis. Na segunda-feira deveremos apresentá-lo para a imprensa, adiantou Figueiredo Basto.
O promotor acredita que o empresário, em liberdade, pode intimidar as testemunhas que a promotoria ainda precisa ouvir para concluir as investigações sobre as denúncias levantadas na CPI. Juridicamente falando, a suspensão da prisão traz enormes prejuízos à ordem pública. Afinal, o empresário era uma das pessoas que investigamos e está absolutamente envolvida com práticas criminais, lamentou Kessler.
Nos depoimentos à CPI, várias testemunhas (ex-policiais civis presos) acusaram Mandelli e também o empresário Joarez França Costa, o Caboclinho (que está preso), de manterem estreitas ligações com a antiga cúpula da Polícia Civil. Nos relatos as testemunhas afirmaram que os empresários mantinham atividades ilícitas com o consentimento de delegados e investigadores que, em troca, receberiam propinas. Ainda segundo os denunciantes, o pagamento da propina era chamado de pedágio. Na semana passada a Folha teve acesso às cópias de uma lista com 17 páginas e de canhotos de cheques que pertenceriam a Mandelli onde aparece a referência pedágio. A anotação aparece em 57 canhotos e soma um valor de R$ 195.491,50.


