Suspensão do pedágio causa reflexos econômicos em Jacarezinho
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quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Vinte e sete dias depois de a corte do Tribunal Regional Federal da 4 Região (TRF-4) determinar a suspensão da cobrança de pedágio nas praças mantidas pela concessionária Econorte em Jacarezinho (Norte Pioneiro), na BR-369 e na BR-153, os primeiros reflexos das cancelas abertas são claros. Há quem comemore o fim da cobrança e também quem lamente. Mas os satisfeitos com a decisão judicial são maioria.
Os mais beneficiados são os caminhoneiros. Entre os abordados pela FOLHA na praça inativa da BR-369, todos comemoram o dinheiro economizado, que na maioria das vezes vai para o bolso de quem ganha a vida na boléia.
''O pedágio é uma coisa boa, mas da forma como está no Paraná fica difícil para a gente. No trecho dessa rodovia (BR-369) que pega de Londrina até Jacarezinho tinha que ter apenas uma praça. Nós temos que pagar em Jataizinho e depois aqui novamente, aí fica difícil demais'', ressalta o caminhoneiro Ademir Martiniano, que transportava 35 toneladas de trigo paranaense para Goiás. Ele passa duas vezes por semana por Jacarezinho e, com sua carreta de seis eixos, está economizando R$ 59,50 a cada viagem.
No posto de fiscalização da Receita Estadual, os funcionários comentam que o movimento de caminhões aumentou em torno de 40% depois da suspensão da cobrança. Conforme vão sabendo das cancelas abertas, os caminhoneiros deixam de trafegar por estradas alternativas ao pedágio e voltam às rodovias mantidas pela Econorte.
Estudantes universitários da região que fazem faculdade em Ourinhos, cidade paulista que está na divisa com o Paraná, também sentem no bolso o resultado da decisão judicial. ''Já estamos pagando R$ 20 a menos de mensalidade pelo nosso transporte de van. Isso é muito bom, pois temos que pagar uma mensalidade alta pela faculdade particular'', comemora a estudante de Direito Bruna Fogaça.
Marques dos Reis
No distrito de Marques dos Reis, que pertence a Jacarezinho e foi separado da sede municipal pelas praças de pedágio, as opiniões estão divididas. Apesar de a concessionária beneficiar os moradores com um cartão de isenção, alguns se dizem isolados quando as praças estão funcionando. ''Eu tenho o cartão, mas meus parentes que moram no interior de São Paulo não vêm me visitar por conta da cobrança'', destaca o segurança Paulo César Nogueira.
A auxiliar de odontologia Nilda Fátima Perez tem opinião diferente. Ela está preocupada com uma possível onda de desemprego em Marques dos Reis se a decisão da corte do TRF-4 for mantida. ''Pelo menos 35 pessoas daqui trabalham nas praças que estão desativadas. É gente que conseguiu uma chance de ter um emprego. Vai ser um prejuízo grande para Marques dos Reis se esse pessoal for demitido.''
Comércio
Entre os comerciantes de Jacarezinho, também há polêmica em relação ao fim da cobrança de pedágio nas praças instaladas nas rodovias da cidade. Como diz o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Jacarezinho (Acija), Marcelo Oliveira da Silva, ''a situação tem dois lados''. ''A cobrança do pedágio é interessante porque retem os consumidores dentro da cidade, além do fato de as nossas rodovias estarem melhores e o município ganhar em arrecadação de impostos. O ideal seria lutarmos por um pedágio mais barato e não pelo fim da cobrança'', argumenta.
O pedágio cobrado em Jacarezinho era de R$ 9,70 para automóveis; R$ 4,90 para motos e R$ 8,50 por eixo para veículos pesados. De acordo com a assessoria de comunicação do Departamento de Estradas e Rodagem do Paraná (DER), em torno de 160 mil automóveis passam por mês pelas praças de pedágio do município.


