Suspensão de padres-candidatos ainda causa polêmica no Paraná
Apesar de ter saído há quatro meses, a decisão da regional do Paraná da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de definir a incompatibilidade da carreira eclesiástica com a política partidária ainda causa polêmica. A decisão incluiu a suspensão temporária dos párocos que disputam eleições ou ocupam cargos públicos.
Pelas determinações dos bispos no Estado, os padres que se candidataram não podem fazer uso de ordens, o que significa deixar de ser pároco, celebrar missa e administrar sacramentos. Havia o temor de que a restrição poderia se transformar em expulsão, mas não será o caso.
A atitude da CNBB-PR foi considerada conservadora por candidatos e até fiéis, mas há alas mais arrojadas da Igreja Católica. Recentemente, o bispo de Jundiaí (SP), Dom Amauri Castanho, divulgou o apoio de sua Diocese para 25 candidatos. Candidatos que não tiveram seus nomes incluídos na lista ficaram irritados.
O dom Amauri é uma personalidade muito corajosa e muito definida, disse o arcebispo de Londrina, Dom Albano Cavallin, em entrevista à Folha na semana passada. Dom Albano aposta, porém, numa iniciativa alternativa de conscientização dos cerca de 700 mil católicos de 15 municípios do Norte do Paraná: debater temas políticos com os fiéis.
Eu prefiro que o cristão, que nós dizemos leigo - não ligado à parte religiosa - desenvolva a sua análise e oxalá nós católicos possamos apoiar. Não por ser católico só. O que nós pedimos é que seja competente. Atenção: não é católico, não é propaganda de política de um setor. É preciso que o melhor candidato primeiro seja um bom político, e se for católico, ajuda um pouco, disse Cavallin. (P.Z)





