Imagem ilustrativa da imagem Suspensão da data-base mostra maior controle de Beto na AL


Curitiba – Em que pesem as brigas de liminares e os protestos de servidores públicos dentro e fora da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, o governador Beto Richa (PSDB) mais uma vez não teve dificuldade de aprovar um projeto polêmico de sua autoria. Mais: a iminente sanção da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2017, prevendo a suspensão, por tempo indeterminado, da data-base do funcionalismo, evidencia um controle ainda maior do Palácio Iguaçu sobre a bancada aliada no Parlamento. O texto passou em redação final na última quinta-feira (24), por 33 votos a 11, devendo ser incorporado à legislação nesta segunda-feira (28).

Mesmo que quatro oposicionistas tenham se recusado a participar da sessão extraordinária que ratificou a revogação da reposição salarial – Requião Filho (PMDB), Tadeu Veneri (PT), Péricles de Mello (PT) e Nereu Moura (PMDB) –, o resultado é mais emblemático do que o verificado há um ano e sete meses, durante o chamado "Massacre no Centro Cívico". Naquele 29 de abril de 2015, quando houve o confronto entre Polícia Militar (PM) e professores na Praça Nossa Senhora de Salete, 20 parlamentares contrariaram a orientação de Beto e se recusaram a referendar a reforma na Paranaprevidência.

Dentre os que mudaram de lado estão Adelino Ribeiro (PSL), Marcio Pauliki (PDT) e Pastor Edson Praczyk (PRB), até então apresentados como "independentes". Já Gilberto Ribeiro (PSB) e Palozi (PSC), que tenderiam a apoiar os trabalhadores, não participaram da plenária definitiva. O mesmo aconteceu com o prefeito eleito de Cascavel (Oeste), Paranhos (PSC), que registrou posicionamento favorável ao adiamento do reajuste no primeiro turno, e com Evandro Jr. (PSDB), contrário ao substitutivo da LDO. O tucano, contudo, informou ao líder do governo, Luiz Cláudio Romanelli (PSB), que "se enganou" e que pretendia aprovar o texto.

Para o cientista político Márcio Carlomagno, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a perda de popularidade do governador não acarretou em nenhuma mudança na maneira como ele se relaciona com o Legislativo. Reeleito em primeiro turno com 55,7% dos votos válidos em 2014, Beto hoje possui uma taxa de aprovação de 18%, segundo a pesquisa mais recente do Ibope, divulgada em setembro.

"Se a gente fizer um paralelo com o governo da [ex-presidente] Dilma [Rousseff], a diminuição da aceitação da opinião pública foi aliada a uma queda na base de apoio dela. No caso do Richa não. Mesmo existindo fatos que agravaram uma queda no aceite, ou um aumento na rejeição, isso parece não ter afetado o modo como ele gerencia a coalizão", avaliou. "Muitos estudos se focam na questão do presidencialismo de coalizão, mas a mesma lógica vale para estados e municípios. É preciso que o chefe do Executivo construa uma base e saiba negociar. O que a gente percebe nessas votações é que ele [Beto] continua sendo um bom gestor de sua base", completou.

Além da "habilidade política", Carlomagno citou o fato de não existir, em nível estadual, uma cobrança tão grande por parte da população em relação ao comportamento dos governantes e parlamentares. Somente servidores diretamente atingidos pela medida ou sindicalistas estiveram na Assembleia na semana que passou. "Falta aquilo que a gente chama de accountability, que é a responsabilização e a transparência dos deputados estaduais, para que votem contra o governador. Como não há essa cobrança, eles se sentem mais livres para tomar decisões que são contrárias à opinião pública".

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