Arquivo FolhaPedra no sapatoLerner: governador esperava a liberação do empréstimo antes da chegada do imperador Akihito O freio dado pela CAE (Comissão de Assuntos Econômicos do Senado) na liberação dos pedidos de empréstimos do governo do Estado teve a sua primeira consequência prática ontem. O OECF (Overseas Economic Cooperation Found) - fundo financeiro que vai emprestar US$ 221 milhões dos US$ 392 milhões para a execução do programa de saneamento Paraná San - cancelou a audiência que estava marcada pela comitiva do Paraná com a cúpula da instituição japonesa. A reunião seria definitiva para o fechamento do acordo, costurado em maio de 95.
O encontro estava programado para ontem às 16 horas, em Tóquio. O governador Jaime Lerner (PDT) já sabia, desde a última terça-feira, que teria de adiar a viagem e esperar mais um pouco para selar o financiamento. Ao contrário de alguns secretários de Estado, como o do Desenvolvimento Urbano, Lubomir Ficinski, o coordenador do Paraná San, Paulo Alberto Dedavid, diz que o governo não corre o risco de perder os recursos pleiteados no Japão. ‘‘Vamos ter outra oportunidade, depois que o Senado rever a posição’’, aposta.
O coordenador conta que o Palácio Iguaçu nem precisou se manifestar sobre a paralisação dos empréstimos no Senado. O escritório do OECF, no Rio de Janeiro, foi mais rápido e coletou reportagens que trataram da decisão da CAE e dos reflexos da briga política que a medida desencadeou no Paraná entre Lerner e o senador Roberto Requião (PMDB), acusado de ter articulado a paralisação. ‘‘Os responsáveis pelo escritório é que conversaram com a direção do organismo financeiro. Nós fomos apenas notificados’’, explica Dedavid.
Mais que uma questão administrativa, o governo do Estado queria garantir o empréstimo com os japoneses, antes da vinda do imperador Akihito ao Paraná. ‘‘Estamos comemorando cem anos das relações Brasil-Japão e o evento seria uma oportunidade para tornar-se um fato nacional’’, avalia o técnico.
O financiamentoO programa Paraná San envolve R$ 392 milhões. Dos quais, R$ 221 milhões do OECF e R$ 171 milhões como contrapartida do governo do Estado. O projeto se propõe a tratar água e esgoto na região metropolitana de Curitiba e no litoral, e criar um sistema de processamento de resíduos e agrotóxicos para todo o Paraná.
Paulo Alberto Dedavid garante que ‘‘o financiamento será um bom negócio para o Estado’’. ‘‘São 4% de juros ao ano, sete anos de carência, 18 anos de amortização e 25 anos de prazo para o pagamento’’, informa.

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