Suspeitos ganham cargos em comissões estratégicas
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sexta-feira, 08 de fevereiro de 2008
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
Três dos quatro vereadores acusados pelo Ministério Público (MP) por extorsão e formação de quadrilha conseguiram cargos nas comissões permanentes mais disputadas da Câmara Municipal de Londrina, definidas ontem, na primeira sessão ordinária do ano. A base de apoio do prefeito Nedson Micheleti (PT) ficou com a maioria das posições.
Flávio Vedoato (PSC), denunciado pelo MP no dia 16 de janeiro junto com Orlando Bonilha (PR), Osvaldo Bergamin (PMDB), Renato Araújo (PP) e o ex-vereador renunciante Henrique Barros (sem partido), conquistou a vice-presidência da Comissão de Justiça, Legislação e Redação, a mais importante da Câmara. Ela será presidida pelo líder do governo, Gláudio de Lima (PT). Responsável por emitir pareceres sob os aspectos constitucional, legal, jurídico e regimental, é a única comissão pela qual 100% dos projetos de lei têm que passar obrigatoriamente.
Vereadores afirmaram à reportagem, porém, que este ano a comissão mais cobiçada foi a de Desenvolvimento Urbano, Obras, Viação e Transporte. Uma possível explicação, segundo o presidente da Câmara, Sidney de Souza (PTB), é a entrada na pauta, em breve, do projeto da nova Lei de Zoneamento - cuja discussão deverá se estender por várias sessões e garantir notoriedade aos envolvidos.
A comissão de Desenvolvimento terá papel crucial na análise do projeto, que irá definir parâmetros para a organização do espaço urbano e a implantação de quaisquer novas obras em Londrina. Junto com o líder do PT na Câmara, Lourival Germano, os dois escolhidos para compô-la foram Bonilha e Bergamin. Ambos foram acusados de participação no esquema de cobrança de propina para aprovação de três projetos no final de 2007, crime que teria lesado empresários da cidade em R$ 47 mil. Se fosse hoje, os projetos seriam submetidos a pareceres assinados por esses mesmos vereadores.
Representante da oposição e candidata derrotada para ocupar um cargo na comissão de Desenvolvimento, a vereadora Sandra Graça (PP) não quis comentar a escolha dos vereadores sob suspeita, mas criticou a postura dos aliados do Executivo. ''A Comissão (de Desenvolvimento) foi a que teve mais candidatos, mas infelizmente só consegui voto do meu partido. O que fica mais claro é que as decisões da Câmara são tomadas em colegiado e o Executivo dita as regras entre eles. As escolhas de hoje (ontem) ratificam a dependência do Legislativo com o Executivo, o que é negativo'', avaliou.
Já o presidente da Câmara afirmou que as escolhas foram feitas ''em consenso, de forma tranquila e democrática, sem acertos de bastidores e conversas de canto''. Ele frisou também que as comissões têm ''papel importantíssimo na emissão de pareceres'', mas que é importante separar o tratamento de mérito da avaliação técnica de cada projeto. ''O vereador pode perfeitamente dar um indicativo de que certa matéria afronta um princípio técnico, e depois discutir com os colegas em plenário e votar favorável.''
A Comissão de Finanças e Orçamento, que desempenha papel-chave na apreciação de matérias orçamentárias e tributárias como o Plano Plurianual e o Orçamento Municipal, será presidida pelo vereador Luiz Carlos Tamarozzi, com Antenor Ribeiro (PP) como vice. Antenor, que acabou de assumir a cadeira no lugar de Henrique Barros, também já emplacou na presidência da comissão de Economia, Indústria, Comércio e Agricultura.
Também na sessão de ontem, o vereador Paulo Arildo (PSDB) foi escolhido com 17 votos e uma abstenção para substituir Barros como segundo-secretário da Mesa Executiva da Câmara. Não houve menções em Plenário ao escândalo do pagamento de empresários.


