Maringá - O corregedor da Polícia Civil, Idelberto Lagana, que assumiu as investigações para apurar denúncias de extorsão envolvendo policiais de Maringá, ouviu, ontem, apenas dois dos seis policiais citados no caso. Uma pane nos computadores da Delegacia de Maringá, ontem à tarde, impediu o andamento das investigações. Lagana substituiu o corregedor Haroldo Luiz Vergueiro Davison, que foi afastado por ter revelado os nomes dos seis policiais.
O diretor da Polícia Civil do Paraná, Leonil Ribeiro também acompanhou o início das investigações ontem, em Maringá, e disse que existem indícios de provas de extorsão envolvendo os policiais. Ele não revelou quais seriam as provas e também não revelou os nomes dos policiais.

Seis policiais estão sendo acusados de terem recebido propina de Ivan Rodrigues da Silva, o Monstro, e Elcyd Oliveira Brito presos no dia 31 de janeiro em Maringá. Os dois usavam os nomes falsos de Alexandre Cintra Toledo e Rafael Ribeiro Gomes, respectivamente. Silva e Brito participaram do sequestro e assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel. Para serem soltos da cadeia de Maringá, Silva e Brito teriam entregue uma casa no valor de R$ 50 mil, uma picape Ranger e ainda R$ 10 mil em dinheiro. O advogado Marcos Cristiane Costa da Silva, teria intermediado as negociações.
O depoimento dos policiais está sendo acompanhado por representantes do Ministério Público (MP). De acordo com Leonil Ribeiro, o objetivo é dar mais transparência às investigações. Os promotores nomeados para o caso são Emília Ribeiro de Oliveira, Edson Cemensatti e Edson Kalache. Os promotores vão fazer um sistema de rodízio para acompanhar os depoimentos.

Idelberto Lagana, ao contrário de Davison, evitou dar declarações para a imprensa. Ele é o responsável pela parte operacional do caso. Já o corregedor Nabor Sotto Maior responde pela parte administrativa. Ele também esteve ontem em Maringá. Hoje, os outros quatro policiais acusados de extorsão devem ser ouvidos na delegacia. Também está previsto para hoje, o depoimento do advogado Marcos Cristiane Costa da Silva.
A casa que teria sido entregue pelos marginais está localizada em Sarandi, cidade vizinha de Maringá. De acordo com as investigações, na casa moravam a mulher e três filhos de Ivan Rodrigues da Silva. As contas de luz e telefone da residência, entretanto, estavam em nome de Alexandre Cintra Toledo, a identidade falsa utilizada por Ivan. Conforme declarações de vizinhos, a mulher e as crianças teriam deixado a casa no início de fevereiro, logo depois que Ivan foi libertado da cadeia de Maringá.

mockup