Brasília - O Senado Federal, suspeito de estar envolvido na fraude de licitação para contratação de servidores terceirizados, mais do que dobrou suas despesas com esse tipo de serviço nos últimos seis anos. Pelos dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), o gasto do Senado com prestadores de serviços pulou de R$ 60,1 milhões anuais, em 2000, para R$ 140,4 milhões em 2005.
A mesma explosão de gastos é verificada em outros órgãos do Judiciário, como o Superior Tribunal Federal (STF), que quintuplicou suas despesas no mesmo período, mas não é citado nas investigações da Polícia Federal. No Executivo, o aumento médio das despesas foi de apenas 14,1% entre 2000 e 2005 ou de 65,4%, quando excluído o Ministério da Saúde.
De acordo com a PF, um grupo de três empresas - Conservo Brasília Serviços Técnicos, Ipanema Serviços Gerais e Brasília Informática - subornava funcionários públicos e fazia conluio para vencer licitações na administração federal. A especialidade das empresas era fornecer motoristas, pessoal de limpeza, secretárias e recepcionistas para os órgãos da administração federal, mas também há casos de profissionais mais especializados que estão sendo contratados por esse meio.
No Senado, a Conservo tem um contrato que atualmente chega a R$ 5,08 milhões anuais para garantir o serviço de condução e manutenção dos veículos usados pelos 81 senadores - o que representa um custo de R$ 62.734,55 anuais por parlamentar. Entre 2000 e 2005, a empresa, controlada pelo empresário Victor João Cugola, preso na Operação Mão-de-Obra, já embolsou R$ 9,8 milhões do Senado, de acordo com levantamento realizado pela ONG Contas Abertas.
Mas os contratos com o Senado são apenas um entre dezenas de outros que a Conservo e a Ipanema possuem com os órgãos públicos federais. A lista é composta ainda pelo Ministério da Justiça, Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Ministério das Minas e Energia, Ministério dos Transportes, Ministério da Ciência e Tecnologia e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Em tese, a terceirização serve para a administração pública economizar recursos, pois o custo seria inferior à contratação de um servidor público concursado. Mas essa regra nem sempre vale em Brasília.

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