Suspeitos de compra de voto completam um mês de prisão
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quarta-feira, 30 de maio de 2012
Edson Ferreira <br> Reportagem Local 
Amanhã completa um mês das prisões do chefe de Gabinete da Prefeitura de Londrina, Rogério Lopes Ortega, e do ex-diretor de Participações da Sercomtel Alysson Tobias de Carvalho. Eles foram detidos na manhã do dia 1º de maio durante o inquérito conduzido pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Oranizado (Gaeco) que apontou indícios de um suposto esquema de compra de apoio na Câmara para evitar a abertura da Comissão Processante (CP) da Centronic. Ambos seguem detidos na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 2). Também foi preso, no mesmo dia, o vereador Eloir Valença (PHS), que teve a conversão da prisão em afastamento cautelar do Legislativo. O parlamentar reverteu, liminarmente, no Tribunal do Justiça (TJ) do Paraná o afastamento.
Além de Ortega, Alysson e Eloir, foram denunciados pelo Ministério Público, por corrupção e formação de quadrilha, o ex-presidente da Sercomtel Roberto Coutinho Mendes, o ex-secretário de Governo Marco Cito e o empresário Ludovico Bonato - os dois últimos estão presos há mais de 30 dias.
O ex-diretor da Sercomtel chegou a ficar em liberdade por uma semana, mas a soltura foi revogada pela juíza substituta em 2º grau, Lilian Romero no dia 17 de maio. Na decisão, a magistrada considerou que foi ''litigância de má-fé'', por parte da defesa do acusado, o fato de ter sido apresentado o pedido durante o plantão do TJ, sendo que havia pedido semelhante já analisado pela juíza. Alysson, que esteve foragido, se apresentou ao Gaeco no dia 24. No mesmo documento Lilian também decretou extinto um pedido de habeas corpus apresentado em favor de Rogério Ortega.
O advogado de Alysson, Miguel El Kadri, disse à FOLHA ontem que está aguardando nova decisão do TJ sobre o pedido de liberdade. El Kadri negou que o cliente esteja disposto a fazer a delação premiada. ''Dizer que vai contribuir não significa delação premiada. Ele vai colaborar com as investigações e vai dizer a verdade em juízo.''
Segundo o MP, Alysson teria transportado o dinheiro que seria utilizado para o pagamento da propina ao vereador Amauri Cardoso (PSDB) no dia das prisões em flagrante de Cito e Bonato. El Kadri afirmou que vai provar que o ex-diretor da Sercomtel não repassou nenhum recurso para Cito. Sem confirmar o valor, ele disse que ''Alysson emprestou dinheiro do Coutinho para fazer uma viagem a trabalho''. Conforme o advogado, ''depois o Coutinho seria restituído pela empresa (Sercomtel). O Alysson não levou o dinheiro''. Embora tenha entrado em contradição nas três vezes em que prestou depoimento ao Gaeco, Coutinho sustentou essa versão, antes de ser exonerado da presidência da empresa.
O advogado Maurício Carneiro, que defende Ortega, estava com o celular desligado ontem.
Sem salário
O chefe de Gabinete, Rogério Lopes Ortega, teve suspenso o salário, apesar de continuar oficialmente no cargo. Segundo o secretário de Gestão Pública, Fábio Reali, a medida foi tomada na segunda semana de maio. ''O pagamento dele seria ilegal, afinal ele não está prestando o serviço.''


