Suspeito teria feito negócio na campanha de 1998 Leandro Donatti De Curitiba O empresário Hissan Hussein Deheine, preso na madrugada de ontem, disse em seu depoimento que fretou um helicóptero de sua propriedade para a campanha eleitoral do governador Jaime Lerner (PFL). O empresário afirmou ainda que tem sociedade com o piloto da Casa Militar Paulo Nascimento. ‘‘Nós abrimos um negócio. Ele fez os contatos. A Helisul (empresa de táxi aéreo) emite as notas’’, afirmou aos deputados. A CPI tentou, durante duas horas, desvender o mistério que ronda a vida financeira do empresário, suspeito de ter envolvimento direto com uma rede de traficantes. Mas não teve êxito. Preparado, Deheine respondeu a todas as perguntas, argumentando que o seu patrimônio (dois hotéis, uma mansão, um helicóptero, dois postos de gasolina, agência de turismo) foi crescendo ‘‘graças ao trabalho’’. O empresário, que diz ter começado a vida num abatedouro de frangos, tem patrimônio avaliado em US$ 5 milhões. Durante boa parte do depoimento, o empresário falou sobre a venda de um segundo helicóptero, avaliado em R$ 1 milhão. Segundo ele, a aeronave foi comprada por um secretário municipal de Maringá. Deheine disse que presta serviços à Copel, Petrobras e ao DNER. O Palácio Iguaçu disse desconhecer a prestação do serviço. A assessoria do governador afirmou à Folha que, de acordo com contabilidade registrada pelo PFL junto à Justiça Federal, não há contrato firmado com a empresa de Deheine, e sim locação junto à empresa Catuaí, fixada em Londrina.