Suspeito pode ter trocado de nome
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sábado, 19 de dezembro de 1998
Ricardo Rodrigues Agência Estado 
O suplente de deputado federal Talvane Albuquerque (PFL-AL), principal suspeito de ser o mandante do assassinato da médica e deputada federal reeleita Ceci Cunha (PSDB-AL) e dos familiares dela, está foragido desde o dia da chacina, ocorrida na quarta-feira. Nesse mesmo dia, Albuquerque teria tirado um passaporte na Polícia Federal (PF) de Alagoas, mas utilizando um nome novo: Pedro Luiz Albuquerque Neto.
A mulher do suspeito, Nireide Albuquerque, disse aos jornalistas que o marido viajou a Brasília e que estava disposto a convocar a imprensa para uma entrevista coletiva: Meu marido está em local seguro, fora de Arapiraca (AL), afirmou, acrescentando que tem mantido contato regulares com ele, por meio de um telefone celular.
O delegado da PF Cláudio Lima confirmou ontem que as autoridades policiais do Estado estão no encalço de Albuquerque para o ouvir informalmente. Estamos querendo saber para onde ele viajou, disse o delegado. Se eu fosse ele, já teria me apresentado; quem não deve não teme, comentou o delegado, que é chefe de Operações da PF em Alagoas.
Segundo informações extra-oficiais, o pedido de prisão preventiva contra Albuquerque ainda não chegou à Justiça porque o deputado tem imunidade parlamentar. Aliados de Ceci estariam tentando tornar ágil, em Brasília, um rito sumário para a quebra de imunidade parlamentar do principal suspeito.
As suspeitas contra Albuquerque aumentaram depois que a PF prendeu dois seguranças do deputado. O deputado disse para a mulher que, no momento certo, vai se apresentar às autoridades policiais. Meu marido está com medo de ser assassinado; todo mundo anda dizendo que foi ele quem tramou o crime, disse a mulher de Albuquerque. Tudo está contra ele; por isso, ele quer esperar a poeira baixar para aparecer; agora, ele acha que tem de ficar protegido num lugar seguro, longe da revolta popular, disse Nireide. Ao ser questionada sobre como o marido se livrará dessa suspeita, ela ficou em silêncio e, em seguida, disse que tudo não passa de calúnia.
Na quarta-feira à noite, o ministro da Justiça, Renan Calheiros, disse em Maceió que a mesma operação montada pela Polícia Federal para combater o crime organizado no Estado de Alagoas seria reativada para investigar o assassinato de Ceci e dos familiares dela. A prisão dos responsáveis por essa brutal chacina é uma questão de honra para o governo federal, afirmou Calheiros, antes de retornar a Brasília.
Ontem, no final da tarde, Calheiros anunciou a designação do delegado especial da Polícia Federal Gustavo Gominho, para comandar as investigações sobre os assassinatos. O delegado deveria chegar ontem mesmo, a qualquer momento, em Maceió, junto com 18 agentes da PF. Ao todo, cerca de 50 homens da PF, entre agentes e delegados, deverão participar das investigações da chacina.
Segundo o diretor-geral da PF, Vicente Chellotti, o assassinato da deputada não tem ligação nenhuma com a gangue fardada - quadrilha formada por policiais militares e comandada pelo ex-coronel Manoel Cavalcante, que derivou para o outro lado da lei. Para ele, todos os indícios são de crime de motivação política.
O delegado do 4º Distrito Policial (DP), Arnaldo Soares de Carvalho, que preside o inquérito sobre a chacina, com o apoio da PF e PM, revelou que, depois da prisão dos dois seguranças de Albuquerque, está agora no encalço do pistoleiro pernambucano Maurício Gomes Novais, de 58 anos, conhecido no mundo do crime como Chapéu de Couro. Nós estamos investigando todas as pistas que podem levar à elucidação da chacina, e o envolvimento desse pistoleiro é a mais concreta, garante Carvalho, sem querer entrar em detalhes sobre as diligências realizadas pela polícia até então.
Ontem, no Rio, o secretário nacional de Direitos Humanos, José Gregori, afirmou que o assassinato da deputada Ceci Cunha deve servir de basta ao cangacerismo político que prossegue no País. Gregori considerou o assassinato da médica parlamentar uma barbaridade e disse que os representantes de todos os poderes estão indignados com o crime. A política não pode mais acoitar bandidos selvagens, disse.


