Investigações da Polícia Federal obrigaram, pela segunda vez, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, a demitir seu secretário-executivo. O ‘‘Diário Oficial da União’’ de sexta-feira publicou a exoneração de Benivaldo Alves de Azevedo e a nomeação de Simão Cirineu Dias como titular do cargo. Benivaldo assumiu a Secretaria-executiva em dezembro, com a demissão de Maurício Vasconcelos, envolvido em denúncias da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).
Segundo a assessoria de Bezerra, o ex-funcionário da Confederação Nacional da Indústria (CNI) atendeu ao convite do ministro na condição de permanecer por no máximo três meses, alegando problemas de saúde. Segundo declarações publicadas pela revista ‘‘Veja’’, Bezerra teria tomado a decisão de antecipar a saída de Azevedo, um amigo pessoal, ao ser informado do conteúdo de conversas grampeadas pela Polícia Federal.
Nas fitas Azevedo é citado como a pessoa no ministério que repassava informações à máfia acusada de desviar até agora R$ 360 milhões da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). De acordo com a revista, a Polícia Federal começou a instalar escutas em 18 linhas telefônicas, distribuídas em 18 Estados. O grampo mostraria a intenção dos envolvidos no esquema de corrupção de arrecadar R$ 1,5 bilhão aplicando ‘‘golpes’’ na Sudam.
As conversas mostram Geraldo Pinto da Silva, dono de uma firma que seria especializada em forjar projetos para a Sudam, dizendo que ‘‘o pessoal do ministro’’ Bezerra estava trabalhando para abrandar as investigações em projetos da Sudam. As investigações no Ministério indicaram um desvio de R$ 108 milhões contra os R$ 360 milhões descobertos pela PF. As fitas mostram que os fiscais encarregados dessa fiscalização foram subornados. Um dos grandes fraudadores da Sudan repete várias vezes que a eleição do senador Jader Barbalho à presidência do Senado ‘‘foi boa’’ para o esquema de corrupção. A conversa grampeada mostra que o vice-presidente do PMDB do Pará e primo de Barbalho, deputado José Priante, matinha negócios ilícitos com um dos fraudadores da Sudam.
O ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, ressaltou que as irregularidades descobertas pela PF só foram possíveis porque o próprio governo provocou as investigações. A escuta foi feita pela PF com autorização judicial. O ministro não tem informações oficiais sobre o grampo porque o processo de investigação de irregularidades na Sudam está sendo conduzido pela Secretaria de Controle Interno do Ministério da Fazenda e a própria PF. ‘‘O governo está empenhado em apurar e identificar os culpados’’, assegurou Parente.
O ministro Bezerra disse ontem, por intermédio de sua assessoria, que irá se pronunciar publicamente sobre o fato amanhã, depois de analisar o conteúdo da fita. De acordo com interlocutores do governo, no início da semana passada Bezerra convidou o secretário-executivo do Planejamento, Guilherme Dias, para a secretaria-executiva do ministério. O ministro do Planejamento, Martus Tavares, quis manter Guilherme no cargo e sugeriu o nome de Simão Cirineu Dias, que atuava como adjunto da Subchefia da Ação Governamental da Casa Civil.
Cirineu Dias é funcionário aposentado do Banco Central. Em 1988, foi requisitado pelo Ministério da Fazenda para formar a Secretaria Nacional do Tesouro. Considerado ‘‘linha dura’’ na economia, voltou a atuar no Banco Central como delegado da instituição em Fortaleza e depois chefe do Departamento de Auditoria. Assessorou os Ministérios da Fazenda e do Planejamento a partir de 1994, até ser levado por Pedro Parente para a Casa Civil.

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