O vereador Valdeir José Pereira, conhecido como Maringá (PHS), presidente da Câmara de Arapongas (Região Metropolitana de Londrina) entre 2015 e 2016, foi preso nesta terça-feira (9) em decorrência da Operação Control Z, deflagrada pelo Ministério Público (MP) de Arapongas, que teve o apoio dos Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Londrina e Maringá. A prisão é temporária – por cinco dias.

Pereira seria o articulador de um esquema de desvio de dinheiro público por meio de contrato de prestação de serviços superfaturado firmado entre a Câmara e uma empresa de Maringá, a NE Tecnologia, cujos sócios também tiveram a prisão temporária decretada ontem pela juíza Renata Fantin, da 2ª Vara Criminal de Arapongas. Além da fraude em licitação, o MP também investiga crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, agiotagem, advocacia administrativa e sonegação fiscal.

Ao custo de R$ 52 mil mensais, a empresa deveria digitalizar todo o acervo do Legislativo. Entretanto, mensalmente R$ 22 mil eram sacados e depositados na conta do presidente do Conselho da Comunidade, Manuel Martins de Oliveira, "laranja" de Pereira e suposto agiota, para quem o vereador devia dinheiro.

O promotor de Defesa do Patrimônio Público de Arapongas, Bruno Vagaes, disse que as investigações começaram há cerca de um ano, com o depoimento de uma funcionária da empresa, encarregada de depositar mensalmente o valor para o "laranja". Ela detalhou o "modus operandi" do grupo, que acabou integralmente confirmado nas investigações. "As medidas de quebra de sigilo bancário e interceptações telefônicas confirmaram tudo o que ela havia relatado", afirmou Vagaes.

A licitação foi feita ainda em 2013, na gestão da antecessora de Pereira na presidência da Câmara, Margareth Giocondo, mas contra ela não recai nenhuma suspeita. Na sua gestão, Pereira renovou o contrato e, então, teriam começado os desvios. Nesta mesma época, foi instaurado inquérito civil para apurar suspeita de superfaturamento e, foi neste momento, que a funcionária resolveu revelar as ilegalidades.

O MP apurou que os pagamentos mensais de propina (no valor de R$ 22 mil) ocorreram por onze meses, pelo menos, durante os anos de 2015 e 2016. Até o momento, o valor apurado das fraudes ultrapassa R$ 355 mil, podendo chegar a R$ 2 milhões em valores atualizados.

BUSCA E APREENSÃO
Pereira foi preso em seu gabinete, na Câmara. Antes, policiais e promotores cumpriram mandados de busca e apreensão em sua casa e na sua empresa – uma marcenaria. Também foram cumpridos mandados nas residências dos outros três presos e na empresa. Em duas residências (em Arapongas e em Mandaguari), foram apreendidas três armas de fogo sem registro e munições, além de centenas de cheques de terceiros e mais de R$ 80 mil em espécie.

O advogado de Pereira, Oduwaldo Calixto, disse que está lendo o processo e nesta quarta-feira (10) deverá impetrar habeas corpus no Tribunal de Justiça (TJ) visando, além da liberdade, evitar a que prisão temporária seja convertida em prisão preventiva. Disse, também, que o vereador deve ser interrogado pelo MP até o final da semana. Os advogados dos outros investigados não foram localizados ontem.

mockup