Suspeito de fraude em Londrina assume Delegacia do Trabalho
O economista Celso Soares da Costa, de Londrina, que já pertenceu à equipe do prefeito cassado Antonio Belinati, e está sob investigação nos casos de desvios na prefeitura, é o novo delegado-chefe da Delegacia Regional do Trabalho (DRT) no Paraná. A nomeação foi publicada no Diário Oficial do dia 11 de abril, portaria 312. Costa substitui o auditor fiscal de Brasília, Antônio Wellington de Souza, já exonerado.
Costa foi indicado pelo PPB a DRT é da cota do partido. O presidente do PPB, deputado federal José Janene, confirmou ontem que a indicação partiu da bancada federal do partido. Janene é réu em duas ações cíveis no caso das fraudes em licitações da Prefeitura de Londrina.
O novo chefe da DRT que passou a semana em Brasília conversando com o ministro dio Trabalho Francisco Dornelles para traçar seu plano de ações no Paraná está sendo investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, por causa de supostas irregularidades na administração municipal, conhecido como caso AMA-Comurb (Autarquia do Meio Ambiente/Companhia Municipal de Urbanização).
Costa foi presidente da Comurb (atual Ccompanhia Municipal de Trânsito e Urbanização/CMTU) de setembro de 99 a março de 2000) e era filiado ao PT. Segundo André Vargas, presidente estadual do partido e vereador em Londrina, Celso Costa foi expulso do PT porque aceitou participar do governo de Antonio Belinati (ex-PFL, hoje sem partido). Hoje, Costa não está em nenhum partido.
Em novembro de 1999, o 4º Distrito Policial de Londrina abriu inquérito policial para investigar, por suspeitas de irregularidades formais, um contrato entre a Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) e a empresa Celta System Ltda, de propriedade de Celso Costa que na época também era diretor-presidente da Comurb.
O contrato, no entanto, foi assinado no dia 7 de junho de 99, antes de Costa assumir a presidência da Comurb. A Celta System venceu licitação, na modalidade carta-convite, para elaborar um software para gerenciamento de multas de trânsito. Para isso, recebeu R$ 48 mil, dividido em três parcelas. O inquérito foi aberto a pedido do Ministério Público, que também investiga o contrato. Entretanto, nada foi ainda comprovado.
O contrato da Celta System faz parte das investigações que o MP realiza em supostas irregularidades na administração municipal, sobretudo na AMA e na Comurb. A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público já encontrou indícios de irregularidades em 170 contratos da Comurb e 30 da AMA.
Costa preferiu não comentar o assunto. Disse apenas que o caso está sendo apurado e que as investigações tem que continuar. Não tenho nada a acrescentar.
O Tribunal de Contas do Estado (TC) apurou na gestão do ex-prefeito de Londrina desvios de finalidade de R$ 113 milhões, entre 1997 e 99.
Antônio Wellington Souza assumiu a DRT depois da saída de João Iensen, que havia assumido em fevereiro de 1999 e caiu em julho do ano passado, por denúncias de nepotismo e superfaturamento de imóvel. (Colaborou Lucilia Okamura, de Londrina).





