A Polícia Civil de Umuarama e o Centro de Operações Especiais da Polícia Civil (Cope), de Curitiba, apresentaram ontem o cabeleireiro e ex-sargento da Polícia Militar (PM), José Lucas Mendes, 44 anos. Ele é suspeito de ter matado a tiros o vice-prefeito de Mariluz (35 quilômetros a sudoeste de Umuarama), Aires Domingues (PPS), 58 anos, e o presidente do diretório municipal do partido, Carlos Alberto de Carvalho, 37 anos. Segundo a polícia, Mendes confessou ter cometido o crime a mando do prefeito, o padre Adelino Gonçalves (PMDB), que pode ter sua prisão preventiva decretada.
O duplo homicídio aconteceu quarta-feira à noite no escritório de Carvalho. Aires recebeu dois tiros no rosto e no pescoço e morreu na hora. Carvalho recebeu oito tiros e morreu sábado de madrugada no Hospital Cemil, em Umuarama. Segundo o delegado do Cope, Luiz Alberto Cartaxo de Moura, Mendes confessou o duplo homicídio na presença de dois promotores de Campo Mourão. Ele teria ganhado um Monza e receberia mais R$ 20 mil pelo serviço.
De acordo com Cartaxo, o cabeleireiro contou que foi procurado há cerca de 20 dias antes do crime por Gonçalves e outro homem que não conhece, que encomendaram a morte do presidente do PPS. ‘‘Tudo indica que o vice-prefeito morreu porque estava no lugar e na hora errados’’, disse o delegado.
A polícia pediu ontem a prisão preventiva de Gonçalves junto ao Tribunal de Justiça (TJ). Como ele tem foro privilegiado por ser prefeito, somente o Tribunal de Justiça pode autorizar sua prisão. Os desembargadores devem se manifestar sobre o pedido hoje. Enquanto aguarda, policiais estariam vigiando Gonçalves para impedir que ele fuja.
O ex-sargento seria amigo de Gonçalves há mais de oito anos e trabalhou como segurança dele em Rancho Alegre, onde Gonçalves foi pároco, concorreu a vice-prefeito e perdeu a eleição. A polícia tenta agora esclarecer por que Gonçalves queria a morte do presidente do PPS.

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