Suspeitas fecharam agência de Nova York
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de fevereiro de 2003
Denise Angelo<br> Equipe da Folha 
Curitiba O último presidente do Banestado e atual secretário estadual de Administração, Reinhold Stephanes, disse ontem que determinou o fechamento das agências do Banestado em Nova York e nas Ilhas Caymã por causa das notícias sobre irregularidades.
Num texto enviado pela assessoria de Imprensa do secretário à Folha, Stephanes acrescenta que, além deste, houve outros dois motivos para fechar a agência. ''Era desnecessário manter essas agências no exterior e elas não agregariam valor ao processo de venda do banco para o setor privado.''
Fontes da Folha, no entanto, discordam dessa análise. A agência de Nova York era considerada ''uma agência de ouro''. Tanto que possuia redesconto de liquidez, um benefício que nem mesmo a agência do Banco do Brasil em Nova York tinha. O redesconto de liquidez significa que o Banco Central americano cobria automaticamente a agência do Banestado, caso faltasse dinheiro para saques no final do dia. Isso porque a carta de clientes era grande a movimentação financeira bastante significativa.
Stephanes disse ainda que quando assumiu a presidência, os atos de venda no processo de privatização já estavam assinados. Ele, portanto, teria assumido a tarefa de sanear as contas do Banestado para aumentar o ganho do Estado com a venda. O secretário disse ainda que quando assumiu a presidência do banco, as operações irregulares já estavam sob investigação das autoridades. ''Todos os fatos relacionados a essas irregularidades já eram públicos.''
Em entrevista publicada ontem na Folha, o presidente que antecedeu Stephanes no Banestado, Domingos Murta Ramalho, disse que quando deixou o banco não havia nenhuma suspeita da existência do esquema.


