Suspeita de fraude põe secretário contra MP
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 31 de julho de 2012
José Lazaro Jr <br> Equipe da Folha 
Curitiba - Apesar de correr em sigilo de Justiça, uma investigação sobre contratos de publicidade da Prefeitura de Maringá ganhou repercussão estadual ontem, após o vazamento de escuta telefônica entre o secretário da Indústria e Comércio do Paraná, Ricardo Barros (PP), e um funcionário da administração local.
A gravação foi autorizada pela Justiça e integra apuração preliminar sobre direcionamento na licitação de publicidade do município, no valor de R$ 7,5 milhões, realizada em 2011. Publicado no jornal Gazeta do Povo, o diálogo mostra Barros pedindo a funcionário municipal que promova um acordo entre as duas empresas que disputavam o edital, a Meta Publicidade, de Maringá, e a Trade Comunicação, de Curitiba, para que chegassem a uma ''solução salômica''. A licitação acabou sendo vencida pela Meta Publicidade.
Sobre a conversa que foi divulgada, Barros disse se tratar somente de uma preocupação com o procedimento, para evitar que a saída de uma das concorrentes provocasse a nulidade do processo licitatório. O secretário estadual é irmão do atual prefeito da cidade, Silvio Barros II, e não esconde ''aconselhar'' a administração quando julga necessário. Ricardo foi prefeito do município em 1988, elegendo-se deputado federal na sequência. Desde então o grupo político de Barros mantém o poder na cidade, agora representado pelo candidato Carlos Pupin, também do Partido Progressista.
Os contratos anteriores de publicidade de Maringá são investigados desde 2005 pelo MP, já tendo inclusive motivado uma ação civil pública. Os detalhes do novo processo, aberto com informações de Maringá, mas sob responsabilidade da Procuradoria Geral, sediada em Curitiba, permanecem protegidos por sigilo de Justiça. O vazamento de informações vai ser investigado.
Barros também protocolou cinco processos contra os promotores de Justiça de Maringá, José Aparecido Cruz e Laércio de Almeida, na Corregedoria do MP. O ex-deputado federal acusa os promotores de fazerem uso político da instituição. Não há prazo para uma resposta da Corregedoria do MP sobre o caso.
Em entrevista coletiva realizada na manhã de ontem, em Curitiba, Ricardo Barros falou à imprensa que vai se afastar do governo do Paraná. ''Vou tirar férias para dar atenção aos candidatos. A permanência no cargo é uma decisão do governador, eu continuo à disposição'', resumiu.


