Curitiba - O ex-coordenador da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) -vinculada ao Ministério Público (MP) estadual-, Dartagnan Cadilhe Abilhôa, admitiu ontem que desde a criação do órgão, em 1994, havia rumores sobre o envolvimento do policial civil Délcio Augusto Rasera com interceptações telefônicas ilegais. A afirmação do procurador foi feita durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembléia Legislativa que apura a participação do Executivo -nesta e em gestões passadas- no esquema de grampos clandestinos.
''Era voz comum que o Rasera operava clandestinamente com interceptações. Certamente, a polícia sabia bem mais do que eu do problema Rasera'', afirmou Abilhôa. Ele justificou que o policial nunca foi investigado anteriormente pela PIC porque, até então, não havia um ''ponto de partida'' para abrir um procedimento. ''A interceptação é feita pelo ar, então, você não consegue chegar à pessoa que está acessando o alvo. E ele (Rasera) era extremamente eficiente no que fazia e não era fácil de pegá-lo'', acrescentou.
Abilhôa, que deixou a coordenação da PIC no final de 2005, disse que sua convocação à CPI foi mais no sentido de prestar esclarecimentos técnicos sobre como os grampos são feitos, já que a PIC foi precursora em interceptações judiciais. Segundo seu depoimento, ou os grampos são físicos -feitos diretamente nos terminais das operadoras ou nas linhas de transmissão- ou com equipamentos mais sofisticados e caros, que captam os sinais telefônicos.
Sobre a possibilidade de ter havido interceptações ilegais dentro da própria PIC, o procurador afirmou que a única forma de fazer isso é colocando números de telefones indevidos nos pedidos de grampo feitos à Justiça. ''O grampo ilegal é muito difícil de ocorrer. A venda de degravação isto, em tese, é possível que tenha ocorrido, mas não tenho notícia disso'', declarou.
O ''caso mexicano'' foi novamente mencionado pelo deputado relator da CPI, Jocelito Canto (PTB). Policiais civis, entre eles o filho do procurador, Ricardo Abilhôa, foram investigados por suposta participação em um caso de extorsão contra um traficante. Dartagnan Abilhôa disse não entender a relação com a CPI e que houve apenas boatos de que seu telefone e de seu filho haviam sido grampeados.
Na segunda-feira, a CPI irá tomar o depoimento de Rasera. Jocelito Canto pediu ainda a convocação do técnico em telefonia, Isaque Pereira da Silva, que deverá ser ouvido na próxima terça-feira.

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