Arquivo FolhaSuruagy: promessas de transformar Estado em cabide de empregosHá um ano os amigos de Divaldo Suruagy (PMDB) tentam mas não conseguem compreender o que se passa na cabeça deste político campeão de votos, três vezes governador do Estado, prefeito de Maceió, deputado estadual, presidente da Assembléia Legislativa, deputado federal e senador e sobre o qual não pesam denúncias de corrupção. ‘‘Esta mão que deu o emprego não vai demitir nenhum chefe de família’’, respondia Suruagy a todos os que o procuravam para pedir que reduzisse a folha de pagamentos. Ele não demitia. Mas também não pagava os salários.
O governador licenciado de Alagoas obteve a mais espetacular votação entre todos os eleitos no País em 1994: 82% dos votos dos 1,5 milhão de eleitores, com a promessa de que transformaria o Estado em um cabide de empregos e que daria aumento para todo mundo. Em seis meses a folha de pagamentos do funcionalismo aumentou de R$ 27 milhões para R$ 60 milhões. Suruagy cumpriu a promessa. E quebrou o Estado.
Com a estabilização da moeda, a União e os Estados passaram a economizar com a folha de pagamentos e a buscar formas alternativas de aumentar a receita. Em Alagoas ocorria o contrário. A farra do empreguismo prosseguia e a receita afundava. Suruagy não conseguiu fechar um acordo com os usineiros e estes passaram da condição de responsáveis por 60% da arrecadação do Estado a sonegadores. A crise aumentou. No ano passado o presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, José Agnaldo de Araújo, pediu intervenção no Estado, porque Suruagy não repassava as verbas do Poder Judiciário.
Em vez de buscar soluções que aumentassem a sua receita e reduzissem a sua despesa, Suruagy passou a agir como um jogador viciado. Tomava empréstimos de qualquer instituição que lhe abrisse as portas, às vezes sem saber qual era a taxa de juros. Chegou a tomar empréstimo para pagar empréstimo. Viajou duas vezes a Nova York para buscar socorro em instituições financeiras. O resultado foi uma tragédia financeira e administrativa: a dívida do Estado, que na última rolagem do antecessor Geraldo Bulhões era de R$ 421 milhões, pulou para R$ 2 bilhões.
Confiando na ajuda - Amigo de oito dos nove deputados federais - Moacir Andrade (PPB), ligado a Fernando Collor, é o único adversário - e de todos os três senadores, Divaldo Suruagy foi deixando o tempo passar, confiando na ajuda dos parceiros. Mas estes, assustados com o que acontecia em Alagoas, começaram a advertir o governador sobre a possível chegada do caos. O deputado Albérico Cordeiro (PTB) contou que a resposta de Suruagy para uma solução dos problemas era sempre no estilo: ‘‘Eu estou resolvendo, espera um pouco para você ver’’.
Há cerca de dois meses os senadores e os deputados foram ao presidente Fernando Henrique fazer um apelo: ‘‘Presidente, o senhor tem de convencer o governador Suruagy a renunciar, porque com ele não há solução para Alagoas’’, disse um dos políticos. Fernando Henrique respondeu que chamaria Suruagy a Brasília e conversaria com ele. Os apelos tiveram resultado nulo. O presidente acabou optando por não fazer o pedido de renúncia.
Há menos de um mês os senadores e deputados foram novamente a Suruagy. Refizeram o apelo pela renúncia, pediram soluções. A resposta do governador desanimou a todos. ‘‘Vou ser candidato a deputado federal e estou avisando que deixo o cargo no dia primeiro de janeiro’’. Suruagy não ouviu os senadores e deputados. Só se convenceu de que já não era mais querido quando a voz pedindo a renúncia estava nas ruas, com tiros e violência.

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