MACEIÓ - O governador de Alagoas, Divaldo Suruagy (PMDB), é acusado de mandar tirar das ruas sete outdoors cobrando a apresentação dos nomes dos verdadeiros assassinos do ex-coordenador de Arrecadação Tributária do Estado, Sílvio Vianna, que foi morto a tiros dia 28 de outubro de 96. Os outdoors, encomendados pelo Sindicato dos Fiscais de Renda do Estado (Sindifisco) e a família Vianna, foram colocados dia 3 e deveriam permanecer expostos até o dia 18.
O irmão Sílvio, fiscal de renda Sérgio Vianna, chamou a atitude do governador de ‘‘arbitrária’’ e se disse preocupado com a ‘‘censura’’. A empresa encarregada da colocação dos outdoors, disse Sérgio, recebeu ordem do secretário de Segurança Pública, José Azevedo Amaral, para retirar os cartazes. Na avaliação do presidente do Sindifisco, Irineu Torres, apesar de a ordem para a retirada partir do secretário de Segurança, ‘‘a responsabilidade é do governador Suruagy’’. Para Irineu, o governador foi conivente com a censura. ‘‘Suruagy agiu como nos tempos da ditadura militar.’’
O secretário Estadual de Comunicação Social, Romero Vieira Belo, disse que o governador não tem nada a ver com essa história e acusou o Sindifisco de querer tumultuar as investigações. ‘‘O governador quer esse crime esclarecido, tanto que pediu ao Ministro da Justiça, Nelson Jobim, para designar um delegado da Polícia Federal para investigar o caso.’’
O secretário de Segurança, José Azevedo Amaral, afirmou ontem que não queria mais falar sobre o assunto. Na quinta-feira (09), em entrevista a uma emissora de tevê local, ele afirmou: ‘‘Quem estiver incomodado com a retirada dos cartazes que recorra à Justiça’’. E comentou que o crime está praticamente esclarecido, mas a família do morto se nega a aceitar os fatos.
Apesar de o delegado Flávio Saraiva, presidente do inquérito sobre a morte de Vianna, ter apresentado à imprensa o cabo da Polícia Militar, Sandro Guimarães Duarte, como autor do crime, a família da vítima não aceita a versão. Para Sérgio Vianna, a polícia ainda não apresentou evidências quanto aos mandantes da morte do seu irmão.
‘‘O laudo de reconhecimento dos mandantes foi feito depois que os acusados foram apresentados ao cabo Duarte’’, comentou Irineu Torres. ‘‘Além disso, o cabo disse que confessou porque foi coagido’’.

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