BRASÍLIA - Governo e oposições surpreenderam-se ontem com o número de deputados presentes no plenário às vésperas de um feriado e em pleno recesso branco, anunciado na semana passada pelos líderes partidários. O painel eletrônico registrou a presença de 287 parlamentares, suficiente para garantir a apreciação de projetos na sessão extraordinária convocada para as 17 horas. A votação só não aconteceu porque as esquerdas não se entenderam com os governistas e decidiram obstruir a sessão.
‘‘O quórum está ótimo para uma semana morta’’, resumiu o deputado Adylson Motta (PPB-RS), com a autoridade de quem disputa o título de parlamentar mais assíduo do Congresso. ‘‘Foi o governo quem estimulou as ausências para esvaziar a articulação em favor da CPI dos Votos’’, acusou o deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP). ‘‘O governo armou o vazio para desarmar os espíritos e acabou atingido pelo próprio veneno’’, provocou Arnaldo Faria de Sá (PPB-SP), ao avaliar que a ausência de governistas reduziu, por tabela, a repercussão das denúncias de corrupção contra o PT.
No Senado, no entanto, ocorreu o que estava previsto. Com apenas 10 senadores no plenário, a Casa encerrou ontem os trabalhos legislativos desta semana. Não haverá votação nas sessões de hoje e de sexta-feira.

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