Surgem novas denúncias contra 'Zeca Dirceu'
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sexta-feira, 12 de março de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O chefe do escritório regional da Secretaria de Estado do Trabalho em Umuarama, José Becker de Oliveira e Silva (PT), conhecido como Zeca Dirceu, teve ontem o nome envolvido em novas denúncias de tráfico de influência em Brasília. Zeca Dirceu é filho do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. Depois de demonstrar a influência que Zeca Dirceu teve para a liberação de R$ 607 mil em recursos federais da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) para obras públicas em duas cidades do Noroeste do Paraná, a Folha de S.Paulo de ontem trouxe dados que comprovam que o filho do ministro conseguiu empenhar 12,7% de toda a verba nacional do programa Ações de Geração de Renda para Populações Carentes do Ministério da Assistência Social em 2003.
Dos R$ 6,4 milhões que foram destinados para o programa, R$ 823,3 mil foram divididos entre os municípios vizinhos de Cruzeiro do Oeste (25 km a leste de Umuarama), onde Zeca Dirceu mora e é pré-candidato a prefeito. O total empenhado pelo governo federal para o programa foi dividido em emendas parlamentares individuais e de bancada (R$ 3,9 milhões) e em programação orçamentária própria do ministério (R$ 2,5 milhões), na época chefiado pela ex-governadora do Rio de Janeiro Benedita da Silva (PT).
Entre os 5,5 mil municípios brasileiros, o ministério escolheu 23 para distribuir os R$ 2,5 milhões. A região Noroeste do Paraná, sob a liderança de Zeca Dirceu, foi contemplada com nove cidades. Rio de Janeiro, reduto eleitoral de Benedita da Silva, com sete municípios; Minas Gerais com dois municípios; Amapá, Bahia, Goiás, Paraíba e São Paulo foram contemplados com investimentos em um município cada.
O Paraná conseguiu mais recursos do que o Rio de Janeiro, na pasta do Minstério da Assistência Social. Foram R$ 823,3 mil destinados ao Estado, contra R$ 595 mil ao Rio de Janeiro. O valor empenhado por Zeca Dirceu é superior ao total empenhado pelos deputados federais por meio de emendas (R$ 695 mil).
Zeca Dirceu disse ontem, através da assessoria de imprensa, que não se pode fazer comparações entre os valores liberados com o auxílio dele e as emendas parlamentares. Ele argumentou que as denúncias que estão sendo veiculadas pela mídia têm como objetivo atingir politicamente o pai dele, ministro José Dirceu, que estaria ''promovendo mudanças importantes que desagradam setores políticos e da mídia brasileira''.


