Surgem mais indícios contra Ramos
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segunda-feira, 10 de março de 1997
Agência Estado 
SÃO PAULO - O senador Romeu Tuma (PFL-SP) disse ontem acreditar que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Títulos Públicos está chegando perto da parte financeira - onde o lucro obtido nas negociações é transformado em prejuízo - do escândalo dos precatórios. Segundo ele, há claros indícios de que o ex-coordenador da Dívida Pública do município de São Paulo, Wagner Baptista Ramos, e a distribuidora Negocial organizaram o emaranhado de empresas fantasmas ou laranjas que, de alguma forma, particiram do esquema da venda fraudulenta de títulos. Também eram parceiros do negócio o Banco Vetor e as corretoras Perfil e Split.
Tuma e o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) estiveram ontem de manhã na agência do Banco do Estado de Rondônia (Beron), no centro de São Paulo, para levantar toda a movimentação bancária de Sérgio Mounib Derneka e de sua empresa, a SMJT Assessoria Empresarial Ltda, que era utilizada na lavagem do dinheiro obtido com a negociação dos títulos. Na semana passada, em depoimento à CPI, Derneka havia dito que tinha sido obrigado a montar a SMJT pelo ex-gerente do Beron, José Maury Harger Filho, para não ter de pagar uma dívida de R$ 15 mil com o cheque especial.
Os documentos bancários arrecadados ontem pelos senadores mostram, porém, que a conta de Derneka jamais apresentou débito superior ao seu limite bancário, de R$ 2 mil. A conta estourou uma única vez, em R$ 2.200, um débito que logo foi coberto, disse Tuma. Mas ao examinarmos a conta da SMJT ficamos impressionados com a extraordinária movimentação ocorrida desde o segundo semestre de 1995 - depósitos de R$ 900 mil a R$ 4,5 milhões, completou Suplicy.


